Por que há tantos filmes de terror slashers baseados em personagens infantis de domínio público?
Primeiramente, considerando que a marca e versões mais recentes dessas figuras continuam nas mãos de mega empresas de entretenimento, é possível criar apenas derivações delas, sem fugir muito da estética e narrativa comum a todas. Logo, o gênero do horror possibilita isso.
Em segundo lugar, o subgênero slasher é conhecido pela alta lucratividade com baixo orçamento, recebendo assim grande atenção dos estúdios de pequeno porte, especialmente após o retorno milionário de “Ursinho Pooh – Sangue e Mel”, que cresceu a ponto de virar franquia.
“Muder Mouse: Parque da Morte”, originalmente chamado “Murder Mouse” em uma tradução livre, “Camundongo Assassino”) traz mais uma releitura de terror do primeiro Mickey Mouse, mas inova misturando parque temático, história de culto e até uma droga perigosa.

Um grupo de amigos adolescentes resolve comemorar o último ano escolar invadindo um antigo parque que foi desativado há anos, após um incêndio criminoso. Ao mesmo tempo a droga “Mousetrap” (que pode ser traduzida como “ratoeira”) se espalha pela cidade. Como filme slasher é o previsível “jovens vão para lugar abandonado onde vive secretamente um assassino”, mas tem personagens e momentos interessantes.
O parque por si só é um cenário bem feito com algumas boas sequências de ataque, o que poderia haver com maior frequência, permitindo uma divertida batalha final (no limite de orçamento que parece menor que o valor de uma coxinha com refrigerante). O culto de traficantes ao redor do Mickey (sim, vocês lendo isso) é bizarro e dá um ar de novidade e perigo mais intenso para a trama.
Os pais dos jovens não são ausentes, resultando em buscas interessantes e um curso ao escalonamento de consequências que chega até uma equipe paramilitar (que nunca é explicada direito, mas você está vendo um filme de Mickey assassino, lógica não é a prioridade).

As melhores cenas são de luta contra os jovens que usaram “Mousetrap”. Parece mais que estão possuídos por algo, do que quimicamente alterados (e talvez estejam, considerando a existência de um culto).
O símbolo do entorpecente é bem elaborado, mesclando elementos ocultistas com a forma da cabeça do Mickey e ainda lembra a parte de metal retorcido que arma uma ratoeira mecânica tradicional.
Em termos de roteiro (escrito pelo também diretor Kjell Dokkvarr), há realmente a tentativa de colocar camadas e conflitos pessoais. A câmera tenta alguns ângulos diferentes e a trilha sonora alterna entre o ausente e o genérico.
Dentro da leva de longas recentes de personagens em domínio público versão slasher, “Murder Mouse: Parque da Morte”, que entra hoje, 29 de outubro, no catálogo do Adrenalina Pura+, acaba sendo acima de média e divertido como um trash descompromissado.
por Luiz Cecabecchia – especial para CFNotícias
*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pelo Adrenalina Pura+.