Chega aos cinemas uma animação que fará o mais crítico dos fãs de stop-motion se emocionar, uma vez que traz aventura, ação, emoção, suspense e tragédia de maneiras jamais vistas em uma produção deste tipo. Em “O Bosque Selvagem” (Wildwood) temos como foco narrativo a história de Prue McKeel que no original a dublagem é (voz de Peyton Elizabeth Lee no original e Giulia Benite na versão original).
A pequena aventureira descobrirá que as histórias contadas por seu pai. Sr. McKell (Jake Johnson / Daniel Müller) sobre magia e seres encantados são verdadeiras, quando seu irmão mais novo, Mac (Arthur Knight / Helena Moura Corrêa) é sequestrado por corvos e levado ao coração da “Floresta Impassável” que existe na divisa de sua cidade.
O que Prue não esperava é que neste reino mágico encontraria informações que podem mudar o rumo de sua vida para sempre. Ela contará com a ajuda de um colega de escola, o jovem e impetuoso Curtis (Jacob Tremblay / Pedro Burgarelli), que terá uma jornada única para aprender o que realmente é ser um herói.

A dupla enfrentará a “Governadora Viúva”, Alexandra Svik (Carey Mulligan / Sabrina Miragaia), vilão moldada por uma tragédia familiar que a transformou em uma pessoa má. Ela tem um único objetivo e não se importa com nenhuma outra forma de vida, apenas em atingir sua meta nefasta.
Roteirizada por Chris Butler, a adaptação para as telas é baseada no livro homônimo lançado em 2011 nos EUA e em 2014 no Brasil, primeiro volume de uma trilogia do autor Colin Meloy, com ilustrações de por Carson Ellis.
Um dado importante é que esta obra cinematográfica é o maior título desenvolvido em stop-motion da história, com duas horas e dez minutos de duração, sem contar que levou cerca de dezesseis anos para ser produzido e finalizado.
O diretor Travis Knight possui uma grande experiência no setor de animação e cinema, sendo o presidente da empresa de animação LAIKA, uma das mais conhecidas produtoras de animação em stop-motion em atuação no mundo. Também foi o diretor do indicado ao Oscar de Melhor Animação em 2016, “Kubo e as Cordas Mágicas” (2016).

Um aviso importante: “O Bosque Selvagem” não é uma animação típica de fantasia, pois possui violência ao extremo, cenas com muito sangue, além de apresentar temas que podem ser sensíveis a determinadas pessoas, incluindo o difícil processo de luto. A recomendação classificativa é de 14 anos no Brasil e de 13 nos EUA.
Na realidade, ao observarmos atentamente todo o enredo, temos um filme que se equipara a qualquer boa produção em live-action, com grandiosas cenas de batalha e conflito. Há uma imersão total na história, graças a gráficos perfeitos e à movimentação convincente dos personagens.
Após a Cabine de Imprensa, participamos da Coletiva com os dubladores brasileiros Giulia Benite (Prue) e Pedro Burgarelli (Curtis), além do animador Thiago Calçado, que contaram detalhes de seus trabalhos.
Os dubladores explicaram como foi o processo de sincronização e produção nacional para ajustar as falas traduzidas com o original. Estreante no gênero, Giuilia afirmou que o trabalho foi desafiador e emocionante, declaração com a qual Pedro – mais experiente no ramo – concordou.

Já o animador Thiago Calçado trouxe informações curiosas sobre o processo de produção, como faz a análise de movimentação no mundo real para transportar ao stop-motion e a dificuldade em concluir um processo de segundos ou minutos em dias ou semanas.
“O Bosque Selvagem” mostra que técnicas não digitais como ainda são relevantes e necessárias, a fim de levar a magia das cenas em movimento para um público novo e que apenas conhece as montagens com novas tecnologias.
Além de resgatar o saudosismo e encantar gerações que se emocionavam ao assistir a produções desenvolvidas com qualidade e cuidados e que não precisavam de tantas adequações digitais.
Vá ao cinema que a diversão, lágrimas e emoção estão garantidas.
por Clóvis Furlanetto – Editor
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Imagem Filmes.