Antes das redes sociais, era “normal” realizar tarefas individuais. Se alguém decidia ler um livro, essa seria sua ocupação central. Se a ideia era assistir a algo na TV, a atenção seria voltada apenas ao material exibido na tela.
Hoje em dia, a expressão “multitarefa” é reconhecida como sinônimo de alguém produtivo, com capacidade de entregar o máximo de resultados, no menor tempo possível.
Mas, analisando com calma, isso não é exatamente verdade. Acontece que nos acostumamos a cobranças múltiplas, mesmo que nossos cérebros não as recebam tão bem assim.
Em “Hiperfoco Natural”, o neurologista e neurocirurgião Dr. Paulo Porto de Melo dá propõe ao leitor reconectar-se a um lugar onde é possível manter-se com alta produtividade, sem que isso signifique exigir mais do que seria recomendado de si próprio.
Ao ser convidada a fazer a resenha, tomei uma decisão: enquanto estivesse com o exemplar aberto, meu celular ficaria no modo avião, evitando o recebimento de notificações de aplicativos e ligações em geral.

Confesso que foi difícil me sentir à vontade no início, com apenas as páginas silenciosas a minha frente. Mas, quando me dei conta de como poderia aproveitar a experiência, deixando de encará-la como um possível incômodo pela “falta de atualização”, por instantes voltei ao ritmo que ditava minha vida antes do “boom” da tecnologia. E foi muito bom.
A obra lançada pela Letramais Editora pode intimidar quem tem pouco (ou nenhum) conhecimento científico sobre o assunto tratado. Porém, revela-se um grande achado aos leitores que, por curiosidade simples ou mesmo por necessidade, optam por desbravar seu conteúdo.
O tamanho físico e a quantidade de páginas fazem de “Hiperfoco Natural” uma ótima pedida para aqueles que gostam de ler em transportes públicos ou intervalos de atividades externas. As telas brilhantes e os sons característicos do mundo digital ainda são maioria ao redor, mas sem perceber, quanto mais nos envolvermos com a proposta do livro, menos nos apegaremos a esses detalhes.
Terminada a leitura, seria hipócrita de minha parte, afirmar que consegui, de imediato, abolir fatores que me afligem e fazem duvidar de minha própria capacidade diante da urgência que nos é imposta no dia a dia.
Mas, é bom ter a sensação de que posso ser relembrada, às vezes, do quanto é importante (física e mentalmente) manter o foco no que importa, no final das contas.
por Ana David – especial para CFNotícias