Crítica: Só por uma Noite

Imagine que um governo decreta que solteiras(os) só poderão ter relações sexuais durante uma noite por ano. E mais ainda: quem for pego fora deste determinado dia pode ser preso, afinal seria uma contravenção penal.

Nessa noite, apenas isso importa, como se fosse uma “caçada” sem fim de sua “presa”, seja ela homem ou mulher. Quando soa o sinal, como aqueles que anunciam uma catástrofe natural, é chegada a hora em que tudo está liberado.

Essa é a premissa de “Só por uma Noite” (One Night Only), que, pode dar a sensação de ser somente um filme com muitas cenas de sexo. Obviamente, elas existem, embora nada explícito, mas é mais uma “pegação”.

Só que no meio dessa “caçada”, eis que dois jovens, Owen (Callum Turner) e Allie (Monica Barbaro), estão em busca de um verdadeiro amor. Mas, em uma noite e, que “ninguém é de ninguém” querer ser romântica(o) é impossível.

Owen é um rapaz desiludido, que perdeu a namorada que resolveu entrar na “caçada” deixando-o para trás. Enquanto Allie, mesmo incentivada por uma amiga, não se encontra à vontade neste tipo de aventura.

O mais interessante é que, apesar desse atrativo em comum, os dois se cruzam- no bom sentido da palavra- muitas vezes durante a noite, mas não se relacionam. Já o público, passa a torcer para que se encontrem, e o sexo, a tal “pegação”, torna-se um segundo plano, torna-se quase desinteressante, apesar de ser atrativo. São tantas idas e vindas, encontros e desencontros dos dois que, quando parece que “vai rolar”, bem, aí é melhor não contar!

Aí está uma das grandes sacadas do longa: o que parecia ser uma história sobre sexo acaba se transformando, aos poucos, em uma trama sobre a busca por conexão, companheirismo e amor. E talvez seja isso que nos faz querer que, mais do que se encontrar por uma noite, os protagonistas se encontrem de verdade.

O filme é dirigido por Will Gluck e o roteiro nasceu de uma ideia de Travis Braun, que entrou na chamada Black List de Hollywood — uma seleção anual de roteiros ainda não produzidos que chamam a atenção da indústria — antes de chegar às mãos de Gluck.

Curiosidade de bastidores: “Radio Man”, figura lendária de Nova York conhecida por suas inúmeras aparições em filmes e produções, tem uma participação especial. Uma dessas filmagens envolveu justamente Monica Barbaro.

Vale ir ao cinema descobrir os caminhos e as decisões tomadas pelos personagens até o desfecho de “Só por uma Noite”.

por Carlos Alberto Quintino – especial para CFNotícias

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Universal Pictures.