Quando você lê o título “Alpha”, talvez faça alguma associação com “Ômega”. Início e fim! Mas logo descobrirá tratar-se apenas do nome da protagonista do longa, vivida por Melissa Boros, de apenas 13 anos.
Logo no início da narrativa, a jovem está numa balada com amigos. Em dado momento vê-se alguém fazendo uma tatuagem, sem muita higiene, e de uma forma brusca para registrar uma letra. E é no braço da Alpha que está sendo feito o desenho.

Ao retornar para casa, a mãe da garota, Maman – personagem de Golshifteh Farahani, que trabalha como médica em um hospital – questiona onde ela estava, e como estava um pouco alcoolizada, começa a tirar a roupa dela e, quando se depara com a tatuagem, fica completamente alucinada.
No começo você não entende o porquê dela estar tão nervosa, porém, ela pergunta sobre quem fez, se usou uma agulha limpa, não compartilhada. Está certa, pelos cuidados, ainda mais sendo médica, porém não é só por isso.
Ela estava lidando no hospital com pacientes que estavam com um vírus estranho, que poderia ser passado por estas práticas com as quais a filha tinha tido contato. E diga-se de passagem, são sintomas estranhos, uma vez que sai fumaça da boca da pessoa infectada, parecendo cinzas.

Além disso, aos poucos mostram, nas cenas, corpos com aspecto de estátuas, enrijecidos. E lógico que a mãe leva a filha para fazer exames e descartar a contaminação. No meio disso, o tio dela, Amin, interpretado por Tahar Rahim, aparece na casa num estado de contaminação do vírus, mas como usa drogas, parece ser reação de abstinência.
Escrito e dirigido por Julia Ducournau, “Alpha” une drama, body horror e terror psicológico, tem cenas que voltam ao passado, e de repente retornam ao presente. Se não prestar muita atenção, o espectador corre o risco de não saber quem é quem.

Tem até uma superstição em torno do “Vento Rubro”, segundo a qual entidades mágicas sobrenaturais podem estar trazendo esta doença. Mas também pode mostrar que foi concebido para chamar a atenção ao que o ser humano está fazendo com a natureza do planeta Terra.
A melhor maneira de tirar esta dúvida é assistindo ao filme, que já está em cartaz nos cinemas brasileiros.
por Carlos Alberto Quintino – especial para CFNotícias
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela MUBI e O2 Play.