Crítica: A Sala dos Professores


Como será a atividade em uma aula de um colégio com alunos quase adolescentes na Alemanha atual? O que acontecerá lá? Terão as mesmas ou similares relações, condutas, atitudes que na América, por exemplo? Como será o vínculo entre os professores? Entre eles e as autoridades? E com os docentes/escola e os pais? Estas e muitas outras perguntas similares poderão ser feitas pelo público ao assistir à produção alemã “A Sala dos Professores” (Das Lehrerzimmer).

Carla Nowak (Leonie Benesch) é a professora de uma turma do sexto ano de ensino primário, com alunos de 12 anos. O prédio da escola, com todas suas dependências, está arquitetonicamente muito ordenado.

Mas, já os primeiros momentos da exibição permitem notar alguns problemas próprios dessa idade: consumo de cigarro (maconha também?), mau comportamento, desrespeito de regras básicas de convivência, relações bastante cordiais por momentos e rudes em outros – tanto entre os meninos e meninas, como com Carla. O próprio entre os docentes e a direção. Mentiras, grosserias, discussões, se sucedem.

Nessa turma, há alunos muito inteligentes, entre os quais Oskar Kuhn (Leonard Stettnisch) se destaca. E também outros, limitados. Porém, não necessariamente há uma correlação entre inteligência e empatia, atitudes positivas. Neste personagem aparecem características bem contraditórias, o que enriquece o relato e deixa a professora também em fortes contradições.

Assim, em meio ao transcorrer do ensino específico com importantes definições (“ciência são verdades universais comprováveis”, “a insegurança é comum nos jovens”, “a verdade vence tudo”), provas para constatar a evolução dos discentes e seus resultados, resolução de problemas teóricos bastante complexos (algoritmos), exposições muito bem feitas por alunos (sobre astronomia), aos poucos começam a aparecer assuntos mais complicados, em especial reiterados roubos. A professora Nowak, além de sua tarefa mais específica de advertir as falhas de alguns e as virtudes e avanços da maioria, lida também com esse problema.

Ainda mais, consegue descobrir quem é a pessoa que comete roubos. Isso, em lugar de servir como prova e dar-lhe um reconhecimento, vira-se contra ela. Aparecerão reações de todo tipo e em todas as instâncias e níveis. Não vamos detalhar tudo o que acontecerá a seguir, mas sim dizer que qualquer um que tenha trabalhado em uma escola, saberá entender do que se trata. E poderá ver-se espelhado aí.

O filme, que até aí vinha algo morno e com momentos entre chamativos e, simultaneamente, meio ridículos, fica muito mais interessante. Continua sendo um drama, mas passa a ter características policiais. O novelo de relações atinge níveis de maior complexidade.

Já que “A Sala dos Professores” está entre as cinco escolhidas para obter o o Oscar de Filme Internacional, a pergunta se impõe: será que tem chances certas ? Embora tenha elementos, justamente, internacionais (quem quer que esteja vinculado a uma escola, seja como docente, aluno, pai, diretivo etc. poderá identificar-se), se comparado com os outros concorrentes, podemos arriscar – assim, porque muitas vezes há surpresas na premiação – que ao menos alguns dos outros nomeados têm mais probabilidade de vitória.

por Tomás Allen – especial para CFNotícias

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Sony Pictures.