Chega aos cinemas a mais recente adaptação de um dos super-heróis mais famosos do universo DC, que apresenta o último filho de Krypton com uma nova perspectiva e uma remodelagem que leva Superman (David Corenswet) à sua origem de oferecer ao povo do planeta Terra a verdade e a justiça.
O diretor James Gunn (que também escreveu o roteiro do longa) também é vice-presidente da DC Estúdios (ramificação que atua na produção de filmes do universo das histórias em quadrinhos de super-heróis da Warner Bros. Pictures). Sua estreia nas adaptações da Editora para as telonas foi com “O Esquadrão Suicida” (2021).
Mas a reformulação do Universo DC tem seu início “oficial” com o lançamento de “Superman”, onde é possível visualizar a mão de Gunn e sua influência e estilo cinematográfico, pois o filme é iluminado, dinâmico e colorido. Não que estes elementos sejam negativos, pelo contrário, o personagem Superman sempre foi um super-herói da luz – em contraponto a certo Cavaleiro das Trevas que prefere as sombras.
A produção lembra claramente as histórias em quadrinhos clássicas, com um uniforme mais próximo da Era de Ouro dos quadrinhos, quando a intenção era valorizar o personagem e não apenas os músculos. E também o visual mescla um estilo anos 1980 com a nossa atual tecnologia.

Fiz essa relação, pois o filme me lembrou muito uma coleção da DC Comics lançada no Brasil pela antiga Editora Abril, com o título corrente de “Liga da Justiça” que variava entre “América”, “Internacional” e “Europa”, com os personagens clássicos no mesmo estilo apresentado por Gunn em seu “Superman”.
Aliás, as figuras que integram o elenco seguem esse padrão de cores e roupas. Como o irracional, louco e totalmente fora de controle Guy Gardner (Nathan Fillion), um dos vigilantes conhecidos como Lanternas Verdes, que protege o setor 2814. Temos ainda o Senhor Incrível (Edi Gathegi), super-herói com uma inteligência fora do comum; e a Mulher – Gavião (Isabela Merced), alienígena do planeta Tanagar que está na Terra tentando encontrar o seu lugar.
E, por falar de alienígenas, o roteiro não foca em política, mas aborda o tema da imigração quando Superman é confrontado por sua origem extraterrestre.
Inclusive, a narrativa possibilita uma transição suave e lógica entre todos os personagens. Esta foi uma de minhas preocupações ao assistir ao trailer, pois questionei: “como será possível conseguir espaço para todas essas histórias paralelas?”. Gunn conseguiu, e cada personagem possui uma função bem definida e coerente na trama.

Claro que não poderia ser uma obra de super-herói sem um vilão à altura e a escolha do pior tipo para o Homem de Aço foi acertada. Temos a presença de Lex Luthor (Nicholas Hoult), que representa um dos piores antagonistas de Ka-el.
Essa representação é de alguém essencialmente mau, sem consciência moral ou amor pelo próximo. Seu único objetivo é destruir o Kriptonyano, com dor e sadismo. Esta descrição é a melhor que pude encontrar para poder dizer que Lex foi apresentado corretamente na história.
Outros personagens integrantes são Lois Lane (Rachel Brosnahan), Jimmy Olsen (Skyler Gisondo) e Perry White (Wendell Pierce), que estão bem posicionados e conduzem uma mudança de rumo na narrativa dentro do que é necessário para ajudar o protagonista em sua tarefa de proteger a humanidade.
E, para quem imagina que Superman é mais contido na violência, pode repensar suas percepções: não há explicitamente cenas ferozes, elas são demonstradas e citadas sem uma gota de sangue. Este tipo de decisão vai de encontro com a dinâmica da linha adotada de focar na ação e aventura.

Sem dúvida, quem rouba todas as cenas em que aparece é o maravilhoso, sensacional e inteligente Krypto, o Super-Cão, que brinca, briga e voa, fazendo a alegria de quem ama animais. Inclusive, na sessão para a imprensa, houve uma (merecida) salva de palmas com grande entusiasmo para ele, durante uma das cenas mais importantes do longa.
“Superman” funciona e garante a diversão de todos. Normalmente eu coloco uma pequena descrição ou sinopse simples do filme para situar a história, mas decidi pular essa parte, pois a experiência precisa ser vivida e você deve acompanhar a trama sem noção do que vai ocorrer.
E não saia voando da sala, pois existem duas cenas pós créditos.
Agora é com você! Proteja sua Fortaleza da Solidão e voe até o cinema mais próximo para conferir “Superman”.
por Clóvis Furlanetto – Editor
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Warner Bros. Pictures.