Pode-se dizer que o nome “Narciso” é incomum. Normalmente, ele nos remete à lenda da mitologia Grega, na qual um rapaz assim chamado, se apaixona por ele mesmo, desmerecendo os demais, apenas olhando para um lago – elemento também presente no filme baseado no famoso quadro do pintor italiano Caravaggio, que acaba de chegar aos cinemas.
Em “Narciso” – longa escrito por Jeferson De (também à frente da direção) e Cristiane Arenas – o Gênio (Seu Jorge) concede apenas um pedido. O protagonista pede para fazer parte de uma família rica, e branca.

O que consegue, de forma inusitada: Quando estivesse com a tal família, seus membros o enxergariam com pele branca e de olhos azuis. Já quando estivesse próximo aos de pele preta, seria visto como realmente é, sem nada mudar.
Mas, há uma profecia no meio disso tudo: o menino Só não poderia ver o seu reflexo, senão o encanto desapareceria. Isso me remeteu à fantasia romântica “Em Algum Lugar do Passado”, no qual Richard, interpretado por Christopher Reeve, coloca a mão no bolso e ao tocar numa moeda do futuro, retorna para seu tempo, acabando aquele encanto.

Narciso, vivido por Arthur Ferreira, acorda no dia seguinte em uma cama enorme, com roupas de cama brancas, ele também vestido com tecido claro. Caminha pela casa e começa a notar que era tudo realidade: apenas os funcionários negros o viam como ele é, enquanto seus “pais” Fernando e Luiza (interpretados por Marcelo Serrado e Fernanda Nobre, respectivamente), conforme o Gênio disse, enxergam-no de cor branca e de olhos azuis.
São curiosos os recursos cinematográficos utilizados para situar a trama nos momentos em que o jovem está com a família branca. Diferente da comédia “O Amor é Cego”, no qual só o personagem principal (após uma sessão de hipnose) vê uma garota loira linda, magra, por quem ele se apaixona, quando, na verdade, ela é obesa, e os demais amigos não entendem como ele poderia gostar tanto dela.

Como já era de se esperar, Narciso fica maravilhado com a nova vida, mas sempre pensando em Carmem (Ju Colombo), uma espécie de “mãe postiça” que abriga crianças para depois poderem ser adotados.
A obra nos leva a refletir sobre o que desejamos, porque a realização pode trazer consequências, positivas e/ou negativas. Tudo é uma questão de escolha, por isso escolha assistir a “Narciso” e tire suas próprias conclusões.
por Carlos Alberto Quintino – especial para CFNotícias
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Elo Studios.
**Crédito das imagens: Mamadou Diop.