Crítica: Enzo

O drama “Enzo” (Enzo) tem uma história atípica que não se sabe aonde vai dar: Um garoto rico do sul da França que não se encaixa na vida social de sua família, abandona os estudos e vai trabalhar como servente de pedreiro.

Um roteiro que rola e vai se desenrolando sutilmente, e nos leva a tentar entender a mente misteriosa e introspectiva de Enzo (Eloy Pohu).

Dá certa agonia observar com os olhos interrogativos do protagonista, um garoto de 16 anos muito calado e quieto. O filme se guia por seu raciocínio, mas não é possível decifrar o caminho que será seguido nem um minuto à frente.

Os pais do jovem o deixam livre. Sua mãe, Marion (Élodie Bouchez), respeita, mas seu pai, Paolo (Pierfrancesco Favino), rejeita. A família tem uma vida de luxo que não o atrai.

Prefere suas roupas sujas de pedreiro, seu universo da construção, seu apego aos colegas de trabalho, em especial, o ucraniano Vlad (Maksym Slivinskyi), que o instiga, o provoca, o acolhe. Seus sentimentos não são claros, mas sua expressão de permanente solidão, faz torcer por ele, por seu final feliz.

O que é difícil de entender é a falta de autoestima desse garoto que se julga “burro”, e não capaz de seguir estudando, quando questionado. Não deixa de ser uma revolta adolescente, para chamar atenção dos pais.

Mas estes são soltos demais em seu estilo de vida, capaz de não compreenderem os sentimentos e dores do próprio filho. Nada tão incomum em relação à vida real.

Um fato abala a vida de Enzo: o medo de perder Vlad, única figura que faz com que lhe aflore algum sentimento. Temor sentido pelo risco de ele voltar para a Ucrânia, o que significaria perdê-lo para a guerra.

É um bonito filme sentimental, que mexe com o coração de quem se compraz pelo seu protagonista. Ver um jovem sem rumo, parece algo normal, mas independente do histórico de cada um, sentir uma amargura em alguém tão jovem nos causa aflição.

Com direção Robin Campillo (que também escreve o roteiro junto a Laurent Cantet e Gilles Marchand), “Enzo” é um longa francês que cuida de uma maneira muito delicada da construção da vida de um adolescente em pleno desenvolvimento sentimental.

por Carlos Marroco – especial para CFNotícias

*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Mares Filmes.