Uma coisa é certa: Chris Stuckman foi corajoso ao sair de sua zona de conforto como youtuber de sucesso (em um canal com milhões de seguidores que acompanham seu trabalho como crítico de cinema) para levar uma produção autoral para as telonas, depois de conseguir recursos através de crowdfunding.
Antes da estreia de “Terror em Shelby Oaks” (Shelby Oaks) muito se falou sobre o filme ser uma mistura de “A Bruxa de Blair” (o maioral entre os títulos de Found Footage) e “Hereditário” (típico exemplo de “ame ou odeie”).

A verdade é que a obra consegue ter uma identidade própria, que não funciona em alguns aspectos – principalmente para quem espera por sustos gratuitos – mas que chama a atenção pela decisão de tratar a narrativa tanto como algo que poderia ter acontecido de verdade, quanto como tema para criar um conteúdo que se apoia no sobrenatural.
Em 2008, quatro amigos – Riley Brennan (Sarah Durn), Peter Bailey (Anthony Baldasare), Laura Tucker (Caisey Cole) e David Reynolds (Eric Francis Melaragni) – vão para a cidade de Shelby Oaks em busca de material para mais um vídeo de seu canal “Paranoicos Paranormais”. E essa é a última vez que são vistos com vida.
Sem acreditar na morte da irmã mais nova, Riley, Mia Walker (Camille Sullivan), segue em uma busca marcada por doze anos de insucesso, sem que nada de diferente a ajude a reencontrar a jovem desaparecida.

O início da trama é focado na tentativa de Mia de manter o suposto crime fresco na mente das pessoas, a fim de que as autoridades policiais mantenham algum tipo de ação permanente que talvez seja capaz de dar um encerramento lógico ao caso, seja com a descoberta do corpo de Mia ou de seu paradeiro.
É quando surge em cena Wilson Milles (Charlie Talbet), figura misteriosa e que pode ser decisiva para que o sumiço do quarteto seja visto como algo bem mais complicado de se justificar.

Tudo porque a história deixa de ser contada apenas como se fosse um “falso documentário” e migra para o sobrenatural, com boas (embora muito simples) explicações.
“Terror em Shelby Oaks” não é o tipo de longa que vai agradar de imediato, ainda mais se o espectador não tiver visto nenhum material promocional e esperar por algo que faça pular da cadeira de tempos em tempos.
Contudo, é válido como representante de propostas que conseguem sair do papel, graças à confiança de um público fiel (ou seja, os milhões de seguidores de Chris Stuckman) disposto a prestigiar seu resultado final.
por Erick Alves – especial para CFNotícias
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Diamond Films.