Chamar alguém de “anta” para insinuar que a pessoa é distraída ou lenta é uma ofensa que pode estar com os dias contados. No próximo 25 de abril (dois dias antes da data mundial do mamífero), o jornalista e escritor Ricardo Viveiros lançará “A anta não é burra. É anta!”, seu quinto livro destinado ao público infantojuvenil, que conta com ilustrações de Elisa Sbardellini.
Apresentando uma linguagem lúdica e educativa, a obra, publicada pela Studio Plural, foca o protagonismo de uma família de antas. Ao descobrir que os humanos utilizam o nome de sua espécie como xingamento, a caçula passa a buscar maneiras de reverter a situação e encara uma série de descobertas e desafios.
Fruto de mais de quatro anos entre desenvolvimento da narrativa, pesquisas e entrevistas com biólogos, zootécnicos e mateiros, o livro surge a partir de uma reflexão. “Nunca gostei de palavrões e ofensas e sempre me perguntei se a anta é realmente ‘burra’ como alguns dizem. A ideia é justamente utilizar o insulto para mostrar que esse tipo de comportamento não pode ser visto como algo positivo, principalmente em se tratando de crianças”, explica Ricardo Viveiros, que aproveitou o conteúdo para levar uma série de ensinamentos ao público infantil.
“A questão da anta e o xingamento foram apenas o ponto de partida, mas a obra faz uma reflexão sobre o tratamento com idosos, o respeito com o diferente, à natureza e, principalmente, o empoderamento feminino”, detalha o autor, que dedicou o livro, inclusive, a grandes autoras da literatura nacional: Ana Maria Machado, Angela-Lago, Cecília Meireles, Ciça Alves Pinto, Clarice Lispector, Eva Furnari, Kiusam de Oliveira, Lygia Bojunga, Marina Colasanti, Marisa Lajolo, Ruth Rocha, Sylvia Orthof e Tatiana Belinky.
Mas, afinal, a Anta é mesmo burra?
Não existe consenso sobre quando ou por que o animal recebeu essa alcunha. A teoria mais aceita dá conta de que a ligação remonta ao período colonial, quando portugueses acreditaram que seria possível domesticar as antas assim como os cavalos. Ao perceberem que era impossível, dado que elas têm um comportamento muito diferente dos equinos, os colonizadores passaram a associá-las à teimosia e à falta de inteligência.
Verdadeira ou não essa narrativa, a única certeza, porém, é de que a ofensa não faz jus à realidade. “Reconhecidas como as jardineiras da floresta, por ajudarem a espalhar sementes e regenerar os biomas, as antas são muito inteligentes, têm excelente memória espacial e são bastante ágeis quando necessário”, detalha Bianca de Miranda Peres, bióloga responsável pode dar consultoria ao autor e pelo capítulo final do livro, que contém todas as espécies e características da anta para que a criança nunca entenda o animal como ele não é.
“Ao desconstruir a ideia de que a anta é um animal ‘burro’, eu quis mostrar às crianças, e, por que não, também aos adultos, como um simples xingamento pode carregar preconceito e desinformação. Entender sua verdadeira inteligência é um convite para repensarmos nossas palavras, exercitarmos o respeito e valorizarmos a natureza e diferenças entre nós”, salienta Viveiros.
Escrita com responsabilidade
Autor de mais de 50 livros em diferentes gêneros, Ricardo Viveiros apresenta quatro outras obras destinadas ao público infanto-juvenil. Além da mais recente, é autor de o “Poeta e o Passarinho”, “Saudade”, “Como encontrar uma Linda Princesa” e “O Menino que lia Nuvens”.
Apesar de apaixonado por criar e contar histórias para filhos e netos, além de amigos deles, o autor revela que, anteriormente, não ficava à vontade para publicar livros dedicados às crianças. “Sinto que escrever para a infância e a adolescência é uma responsabilidade imensa, às vezes até maior do que para adultos. São seres ainda em formação, e aquela leitura será peça importante do seu desenvolvimento pedagógico e humano”, pondera.
“Escrever para esse público é assumir um compromisso que precisa ir além de uma boa história. É contribuir, de maneira sensível e responsável, para a formação de valores e um olhar mais humano sobre o mundo. E é exatamente essa consciência que norteia cada página de ‘A anta não é burra. É anta!’”, conclui o autor.
Ficha Técnica:
Título: A anta não é burra. É anta!
Autor: Ricardo Viveiros
Ilustrações: Elisa Sbardellini Aliende
Editora: Studio Plural Editora
Formato: 20,5 cm e 27,5 cm
ISBN: 978-65-5307-097-0
Nº de Páginas: 40
Preço: Brochura: R$ 54,90 / Capa dura: R$ 79,90
Créditos da imagem em destaque: Divulgação / Studio Plural.
Serviço:
Lançamento do livro “A anta não é burra. É anta!”
25 de abril a partir das 15h
Livraria da Vila do Shopping Cidade São Paulo
Avenida Paulista, 1.230. Bela Vista. São Paulo / SP
da Redação