O cinema de terror tem dois pontos divergentes em termos financeiros. De um lado, quando falamos do cinema de gênero, é muito mais barato de ser feito do que fantasia e ficção científica, estando entre os as produções mais lucrativas entre as obras de baixo orçamento.
Porém, arranjar patrocínio e divulgação é um pesadelo, seja por puro preconceito e superstição, seja por medo de grandes empresas terem suas marcas mal vistas, associadas a “produções de mau gosto”. Assim, se produzir cinema no Brasil já é uma empreitada difícil, fazer filmes do gênero tem uma sequência adicional de dificuldades.
A Horror Expo funciona mais do que uma apenas como uma feira para fãs de terror, é uma plataforma de exposição, a fim de diversos profissionais finalmente terem espaço para mostrar suas criações e se conectarem com outros artistas e críticos do ramo.
Entre os variados anúncios feitos nos dias de evento, o diretor nacional Rodrigo Aragão expos sua grande jornada ao falar sobre o lançamento de “Prédio Vazio”, que chegou aos cinemas em setembro e também funcionou como filme-escola, treinando uma nova geração de artistas. A narrativa mostra um prédio assombrado no litoral do Espírito Santo.

“A Própria Carne”, primeiro longa-metragem co-produzido pelo podcast Jovem Nerd, também teve seu espaço, trazendo o diretor Ian SBF e o ator protagonista Jorge Guerreiro para falarem da obra que estreia 30 de outubro nos cinemas. Uma mistura de horror cósmico com drama étnico de época se passando durante a Guerra do Paraguai.
“Fitas Proibidas”, antologia nacional de terror, teve seu lançamento em DVD com a presença do elenco, mostrando como a mídia física ainda é viável e tem seus fãs cativos (como a pessoa que vos escreve agora). Resta o mercado nacional reconhecer essa importância e se dispor a oferecer títulos – antigos e recentes – para compra no país, sem a necessidade de importar produtos do exterior.

Muitos outros conteúdos puderam ser conferidos durante a rica programação da Horror Expo que, pela primeira vez, aconteceu no Centro de Eventos São Luís. Além da diversidade de materiais – que além de filmes, ainda incluiu quadrinhos e livros – o que chamou a atenção foi o aumento da quantidade não só de visitantes, mas dos próprios autores que marcaram presença em palestras ou estandes próprios, onde davam atenção a cada fã que circulava pelos disputados espaços dos corredores.
Assim, o crescimento da quantidade, qualidade e variedade de produções nacionais enriquece mais a nossa cultura e movimenta todo um mercado criativo que se expande continuamente, abrindo cada vez mais os olhos do público para obras que não precisam ser apenas traduções ou adaptações de sucessos estrangeiros.
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Crédito das fotos: Luiz Cecanecchia.
por Isabella Mendes – especial para CFNotícias