“Sorry, Baby” é daqueles filmes que surgem para cutucar feridas, provocar conversas incômodas e nos fazer revisitar a moralidade e as emoções que moldam a vida de uma pessoa comum. Em sua estreia como roteirista e diretora, Eva Victor não entrega apenas um trabalho promissor, ela apresenta uma obra que ecoa e permanece.
A narrativa acompanha, de maneira não linear, a protagonista Agnes, interpretada pela própria Eva Victor, uma professora que leciona na mesma universidade onde fez sua pós-graduação.

À primeira vista, Agnes leva uma rotina tranquila ao lado de seu gato, porém, a diretora nos conduz habilmente a perceber os tormentos silenciosos que a personagem carrega, frutos de um acontecimento traumático de seu passado.

A presença da melhor amiga, Lydie (Naomi Ackie), e a relação ambígua com o vizinho Gavin (Lucas Hedges) ajudam a tensionar ainda mais essa rede emocional complexa.
O roteiro foge dos clichês fáceis e se fortalece justamente por isso. Victor constrói diálogos e situações que revelam nuances, e as atuações sólidas e profundamente conectadas permitem ao espectador sentir cada oscilação emocional de Agnes.

O longa alcança uma universalidade rara ao explorar desejos pessoais, ambições profissionais e os obstáculos que tantas mulheres enfrentam ao longo da carreira, sobretudo quando homens em posições de poder entram na equação.
“Sorry, Baby” estreia nos cinemas brasileiros como uma surpresa muito bem-vinda: um filme sensível, inteligente e necessário. Uma produção que merece ser vista e discutida.
por Artur Francisco – especial para CFNotícias
*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Mares Filmes