
Crítica: Noite Passada em Soho
O mais interessante de “Noite Passada em Soho” (Last Night in Soho), que chega hoje aos cinemas brasileiros, é sua mistura de estilos. No início, parece que vamos ver um romance, afinal de contas, nos deparamos com Eloise (Thomazin Mackenzie), uma garota do interior da Inglaterra que ama música dos anos 1960 e se muda para Londres, iniciando uma faculdade de moda. Ao chegar à capital inglesa, já começamos a ver um drama, pois conhecemos mais sobre o sofrimento da protagonista, que não se adapta no primeiro momento ao ritmo da cidade grande.
Tudo começa a ficar mais intrigante quando ela aluga um quarto na casa de uma senhora, no bairro de Soho, e durante a noite passa a sonhar com a vida londrina da década de 1960 e com uma linda jovem, chamada Sandie (Anya Taylor-Joy), que busca ser cantora.
A princípio, tudo parece glamouroso e belo, mas com o tempo as coisas vão mudando de figura. É aí que o gênero terror ganha corpo e nos faz acompanhar uma trama sombria e tensa. Tudo porque Elli se conecta cada vez mais com os relacionamentos abusivos de Sandie, além de descobrir que mortes estranhas estão acontecendo pelo bairro.
Essa mistura de estilos, envolvendo mais de um gênero dramático e viagem no tempo, pode parecer uma bagunça, mas não é. Tudo é feito de maneira coesa pelo diretor Edgar Wright. Cada elemento da trama é colocado de forma clara, o que dá sentido e coerência para a narrativa.
Outro ponto positivo é a caracterização dos personagens e da época abordada. Sem dúvida, houve atenção para os detalhes, principalmente quando o Soho de 1964 é mostrado. Dá até para ver que “007 Contra a Chantagem Atômica”, com Sean Connery, está em cartaz, o que é bacana e divertido. E quanto ao figurino? Impecável! Os vestidos são belos e se destacam a cada cena.
O problema são os clichês de terror que sempre aparecem. No fim, por exemplo, temos ganchos que deixam muitas perguntas e a sensação frustrante que certas coisas não terão desfechos.
De qualquer forma, “Noite Passada em Soho” se apresenta como algo criativo e interessante de maneira geral. Para quem curte moda e os anos 1960, é uma boa opção de diversão.
por Pedro Tritto – Colunista CFNotícias
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Universal Pictures.