Crítica: Na Zona Cinzenta

É de adrenalina que você gosta? “Na Zona Cinzenta” (In the Grey) tem aos montes! Você mal se lembra de respirar tamanha é a tensão ao assisti-lo. É aquele tipo de filme em que, quando parece que tudo vai se acalmar, surge uma nova reviravolta, uma emboscada ou uma explosão para colocar todos de novo à beira do abismo.

Sophia, vivida por Elza González, é implacável. Ela é uma advogada que gosta justamente dos casos mais difíceis, daqueles que todo mundo acha impossível vencer — principalmente quando envolvem ‘chefões’ que devem um bilhão de dólares.

Ela se arrisca, mas nada é por impulso: cada passo é milimetricamente calculado, e isso deixa tudo ainda mais eletrizante. São incríveis o treinamento e a estratégia montados, com planos B e C, para que consigam entrar na fortaleza de Salazar (Carlos Barden), um homem que não apenas controla uma ilha, mas parece mandar no destino de todos que pisam ali.

Sid (Henry Cavill), é um deles. Ele está em companhia de Bronco (Jake Gyllenhaal), um nome pitoresco para alguém que funciona como seu ‘seguro’ para Sophia, em situações nas quais qualquer erro pode custar a vida. E é justamente nesse cenário de alianças frágeis, traições e interesses bilionários que Sophia vai se meter com aquele que manda em tudo na ilha — e qualquer semelhança pode não ser coincidência.

Ela joga pesado para conseguir o ressarcimento total, mas Salazar também não fica por baixo. Cada um, a seu modo, dá as cartas nesse perigoso tabuleiro. E quando não entram em acordo ou tentam impor sua vontade, a narrativa escrita por Guy Ritchie (que também dirige a produção) explode literalmente: tiros, bombas, perseguições, helicópteros, invasões e sequências de combate que transformam a tela num verdadeiro campo de guerra.

Num trecho do filme é dito: “somos 70 e eles apenas 6″… Será? Então, a ação ganha contornos quase impossíveis, que fazem o espectador arregalar os olhos. Há uma cena que parece tirada de um videogame de ação quando tentam derrubar um helicóptero – quem gosta de exageros cinematográficos certamente vai se divertir.

Há também um toque de sarcasmo que quebra a tensão na medida certa. Numa sequência em que Bronco e Baker (Kojo Attah) vão atravessar um desfiladeiro,  sugerem aos companheiros que basta bater os braços, como se fossem asas, para se manterem no ar e o impacto da queda não ser tão brutal. E isso não é spoiler: está no trailer.

Mas, em meio a todo esse espetáculo de ação, o filme deixa uma pergunta no ar: afinal, quem está certo? Quem é o mocinho e quem é o vilão? E por que Zona Cinzenta? Porque está justamente entre o preto e o branco, entre o certo e o errado, entre justiça e vingança. E o que isso significa? Você vai descobrir ao assistir ao longa nos cinemas.

por Carlos Alberto Quintino – especial para CFNotícias

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Diamond Films.