À primeira vista, o título de “Extermínio: A Evolução” (28 Years Later) pode sugerir apenas mais um filme repleto de zumbis e violência, mas o que se revela é algo muito além: uma narrativa que mistura tensão, humanidade e até momentos de paixão e amor — sim, amor em meio ao caos.
A obra trabalha com o conceito profundo do memento mori — a lembrança constante da mortalidade. Prato cheio para, assim como eu, excers (fãs do seriado “Arquivo-X”), o termo ecoa como uma pista simbólica do que está por vir. Há também o contraponto poético: memento amori. O tempo todo, a trama nos faz lembrar que, mesmo diante da barbárie, a vida pulsa — e pulsa com sentimentos.

O enredo gira em torno de um vírus que parece ter sido, talvez, criado e liberado intencionalmente. Ele se espalha, dominando cidades, corpos, consciências. Alguns poucos sobreviventes se refugiam em uma ilha isolada, tentando manter viva a chama da civilização, enquanto o mundo lá fora ruge em destruição.
Entre esses sobreviventes, surge Spike (Alfie Williams), um garoto que se vê obrigado a sair da relativa segurança da ilha rumo ao continente, depois de uma decepção familiar. A missão é clara: buscar recursos, respostas, talvez uma chance de cura. Mas o que acontece é mais que uma jornada — é uma transformação.

O personagem tem um crescimento absurdo como pessoa. De um menino assustado, ele se torna um jovem decidido, capaz de proteger sua vida e a da mãe com coragem. Sua trajetória é marcada por perdas, descobertas e decisões que ninguém deveria tomar tão cedo. Mas Spike vai. E os espectadores vão junto, tensos, surpresos, com o coração acelerado. É muita coisa para uma criança.
“Extermínio: A Evolução” não é apenas uma continuação, e mesmo que você não tenha assistido aos anteriores, consegue acompanhar a narrativa do longa dirigido por Danny Boyle. É sombrio e nos faz pensar: até onde iríamos para sobreviver? E o que estaríamos dispostos a perder?

Fica a dica: Atente-se durante toda a história escrita por Alex Garland, principalmente, nos primeiros momentos e no final, porque há uma importante ligação.
por Carlos Alberto Quintino – especial para CFNotícias
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Sony Pictures.