“Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba Castelo Infinito” (Gekijô-ban Kimetsu no Yaiba Mugen Jô-hen / Demon Slayer: Infinity Castle) marca o início da trilogia que encerrará o anime iniciado em abril de 2019.
Em junho de 2024, o estúdio Ufotable anunciou que os três filmes seriam lançados com intervalo de dois anos e adaptariam o arco final do mangá. Este primeiro cobre os eventos dos capítulos 140 a 157.
A escolha de concluir a história em filmes gerou dúvidas, especialmente porque isso fará com que o anime termine quase uma década após o fim do mangá. Mas ao assistir a este primeiro longa, fica claro tanto o lado positivo quanto as limitações dessa escolha.
A maior vantagem é o tempo extra de produção, que se reflete na qualidade visual. Demon Slayer sempre se destacou por batalhas deslumbrantes e efeitos impressionantes, mas em temporadas regulares de cerca de 20 episódios, o estúdio costumava alternar momentos espetaculares com outros de animação mais simples.

O arco do Castelo Infinito, sendo o clímax da trama, já exigiria uma produção acima da média — ainda mais considerando o desafio de retratar um castelo vivo em constante transformação, lutas simultâneas e efeitos complexos.
No formato de filme, houve espaço para refinar cada detalhe, resultando em um espetáculo que impressiona do começo ao fim. Apesar de alguns momentos de economia perceptíveis, o resultado geral é muito satisfatório.
Se a obra deslumbra visualmente, há um problema que incomoda. Com 155 minutos de duração, a experiência mais se assemelha a uma maratona de episódios do que a um longa coeso.

A trama se divide em três segmentos: a batalha da Hashira do Inseto, Shinobu, contra o Lua Superior Dois, Douma; o confronto de Zenitsu com Kaigaku (Lua Superior Seis); e a aguardada revanche de Tanjiro e Akaza, vilão apresentado em Demon Slayer – O Filme: Trem Infinito (2020), aqui com a participação de Giyu Tomioka (hashira da água).
Reunir esses três momentos em uma só produção dilui seu impacto. Revelações e lutas que, alimentariam discussões por dias, acabam passando sem o peso merecido. A emoção se perde e o ritmo é prejudicado.
A dublagem brasileira se destaca, especialmente nos momentos de humor e nas regionalizações, embora a pronúncia das técnicas de respiração, em algumas cenas, seja difícil de entender. Já a polêmica classificação indicativa de 18 anos, apesar de parecer exagerada à primeira vista, é justificada: há sequências que definitivamente não se encaixam em uma animação voltada ao público infantil.
No fim, “Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba Castelo Infinito” não é apenas mais um título de anime, mas um verdadeiro espetáculo e uma ótima introdução ao final épico dessa história.
por Thyago Evangelista – especial para CFNotícias
*Título assistido em Pré-Estreia promovida pela Sony Pictures.