Como gênero cinematográfico, o tema da ficção científica sempre atraiu um grande número de pessoas. Mas nos últimos tempos, este tipo de obra tem sofrido uma mudança de rumo e chegando perto de uma apresentação mais real com a nossa vida, especialmente se o assunto envolver forças alienígenas.
E é o que ocorre no novo trabalho de Steven Spielberg que chega às telonas, “Dia D” (no original, “Disclosure Day” que, em tradução literal significa “Dia da Revelação”). Tal detalhe pode parecer insignificante, mas, na realidade, carrega a principal informação do filme que trabalha com a corrida contra o tempo de duas pessoas tentando entender o que está acontecendo em suas vidas.
O longa tem dois protagonistas: Daniel Kellner (Josh O’Connor), hacker e ex-funcionário de uma agência governamental secreta comandada pelo implacável Noah Scanlon (Colin Firth), que esconde segredos que podem mudar o rumo da história humana. Já Margaret Fairchild (Emily Blunt) é uma jornalista que apresenta o noticiário do tempo em uma estação de televisão e descobre que possui poderes mentais incomuns.

Com a ajuda, dados e referências do experiente Hugo Wakefield (Colman Domingo), os personagens deverão buscar suas próprias verdades, a fim de chegar a uma conclusão aceitável sobre o que fazer com os esclarecimentos que ambos possuem sobre a possível vida extraterrestre.
Como diretor e produtor, Steven Spielberg possui um histórico incrível em Hollywood, sendo responsável por grandes e variadas produções. Mas o tema dos avistamentos de OVNIS (Objetos Voadores Não Identificados) tem acompanhado sua carreira há muitas décadas. Inclusive, há algumas teorias conspiratórias que “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” (1977) e “ET – O Extraterrestre” (1982) foram encomendados pelo governo americano, visando o preparo da população diante um possível contato com alienígenas.
Enquanto “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” mostra uma ação em que personagens têm suas vidas transformadas após o avistamento de naves espaciais, “ET – O Extraterrestre” trabalha com um contato mais direto entre um menino humano e um alienígena, quando os dois precisam vencer os agentes do governo para manter sua amizade.

Uma curiosidade sobre o filme de 1977: Spielberg contratou como consultor o Dr. J. Allen Hynek, um dos responsáveis pelo projeto Livro Azul (Blue Book), no qual observações e contatos supostamente alienígenas eram analisados para comprovar a veracidade dos fatos. Claro que este projeto era uma maneira do governo americano justificar e alegar que os materiais eram tudo menos algo envolvendo alienígenas. Mas, ao final dos trabalhos, várias análises ficaram sem explicações, pois suas ações não puderam ser relacionadas a nada conhecido na Terra.
Com o lançamento de “Dia D”, Spielberg completa o ciclo iniciado em 1977, agora levando às telas, o maior medo das agências secretas mundiais que alegam não saber sobre avistamentos e contatos extraterrestres: a revelação do conteúdo de seus arquivos. A alegação governamental acompanhada pelo público em obras fictícias, ou documentários deste tipo, é que a população mundial não está preparada para um contato direto com seres fora do planeta Terra, e que este tipo de confirmação poderia levar a civilização humana ao caos.
Mais um dos pontos tratados em “Dia D”, pois, após 79 anos de relatos documentados por milhares de pessoas, ainda não foi apresentado nenhum tipo de prova real. Porém, com a tecnologia audiovisual avançando cada vez mais, as imagens se tornam nítidas e isso tende a inviabilizar os tradicionais acobertamento.

Na nossa sociedade moderna, há um aumento expressivo de pessoas que alegam ter tido alguma experiência extraterrestre, e elas não são mais tão ridicularizadas quanto seriam em décadas passadas, quando quem dissesse ter tido um contato do tipo seria considerado mentalmente desequilibrado. Para os entusiastas, nas plataformas de streaming, há programas de televisão dedicados exclusivamente à análise do tema, com especialistas de áreas diversas como físicos, médicos, filósofos, entre outros, debatendo a possibilidade de criaturas não humanas.
Aliás, uma das frases mais notórias sobre vida extraterrestre é “Se estivéssemos sozinhos no universo, seria um desperdício tremendo de espaço”, dita pelo famoso astrônomo e astrofísico Carl Seagan (1934 – 1996), que tinha como base as probabilidades matemáticas e estatísticas da existência de vida fora da Terra.
“Dia D” apresenta de modo objetivo, uma narrativa densa, tensa e rica em detalhes que farão o público se remexer nas poltronas do começo ao fim. A imersão é completa e não conseguimos tirar os olhos da sequência de cenas apresentada com a pergunta que é feita há séculos: “Estamos sozinhos no Universo?”.
Vá ao cinema com a mente aberta, afinal, como dizia William Shakespeare, “há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia”.
por Clóvis Furlanetto – Editor UFO
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Universal Pictures.