Crítica: Todo Mundo em Pânico

Depois de 13 anos, desde seu último lançamento (“Todo Mundo em Pânico 5”, de 2013), a franquia de sucesso das comédias satíricas mais absurda das telonas está volta aos cinemas com o título original “Todo mundo em Pânico” (Scary Movie), a fim de resgatar a nostalgia do primeiro capítulo homônimo da franquia, lançado em 2000.

Dirigido por Michael Tiddes, o longa abraça, principalmente, o terror de uma maneira mordaz. E, assim como seus antecessores, toma como liberdade criativa parte das características de outra aclamada franquia do gênero, “Pânico”, na qual um assassino com uma máscara fantasmagórica e um longo manto tira a vida das pessoas de forma cruel.

Na produção cômica, esses elementos surgem embalados em um humor absurdo e que faz uma forte crítica a aspectos discutidos na sociedade atual. Além disso, “Todo Mundo em Pânico” conta com o esperado (e muito desejado pelos fãs) regresso de seu quarteto principal ao elenco.

Cindy Campbell (Anna Faris), Shorty Meeks (Marlon Wayans), Ray Wilkins (Shawn Wayans) e a insuperável Brenda Meeks (Regina Hall), reassumem seus papéis icônicos, a fim de enfrentar um novo assassino disfarçado de Ghostface. O homicida agora tem novos alvos e a perseguição da vez se dá contra as filhas de Cindy, Sara e Waldinha (interpretadas por Olivia Rose Keegan e Savannah Lee Nassif, respectivamente). Mas, nada impede o mascarado de dar atenção aos antigos “amigos” também…

Aos que terão contato com a franquia a partir deste ponto, vale dizer que, embora títulos de terror sejam a principal – e mais interessante – parte da base narrativa, o roteiro escrito por Marlon, Shawn, Keenen Ivory e Craig Wayans, junto a Rick Alvarez, consegue transitar por outros gêneros com a mesma desenvoltura para fazer rir.

Identificar quais são essas produções, obviamente faz parte da diversão. Assim como determinados conteúdos são fundamentais para o desenrolar das ações, pois vemos em tela um tipo de humor anárquico, e que não precisa ter noção (ou explicar) o que realmente está acontecendo para ser engraçado.

A volta dos irmãos Wayans (Marlon e Shawn) à posição de mentes criativas é uma das principais razões para o filme conseguir ultrapassar limites e levar ao público situações hilárias e improváveis.

Em uma época que nem sempre parece aberta ao exagero, mas que, ainda em parte, tenta escapar dos laços – cada vez mais apertados – do politicamente correto, “Todo Mundo em Pânico” é um bem-vindo escape.

por Clóvis Furlanetto – Ghosteditor

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Paramount Pictures.