Crítica: Advogado de Deus

Se tivesse que resumir “O Advogado de Deus” em algumas poucas palavras, estas seriam: sensacional, tocante, sensível, transcendente. Afinal, o que você imagina com um titulo desses?

Entre as possibilidades, a ideia de que seria alguém defendendo o próprio Deus. Outra, uma pessoa sendo conduzida diretamente por Deus em suas causas. Na verdade, o protagonista desse drama é um indivíduo que não acredita n’ELE, ou melhor, no que pode vir em nome d’ELE.

Daniel (Nicolas Prates), um advogado em inicio de carreira, tem pesadelos tão reais que, ao acordar parece que efetivamente os vivenciou, não que apenas sonhou. São situações de morte, acusações de assassinato, um triângulo amoroso que ele não compreende. Busca respostas, mas, quando as tem, não crê, principalmente porque leva para o campo das reencarnações, algo que não consegue admitir – ainda que tenha várias sensações de “dejavu”.

Uma das pessoas “reconhecidas” por ele é Alberto, vivido por Danilo Mesquita, que o procura para conseguir uma herança a que tem direito. E não era para contratar qualquer um: Indicaram que teria que procurar Daniel que, a princípio, estranha, pois não é conhecido, não tem fama, e a única causa que defendeu, perdeu.

Ao mesmo tempo, sente que precisa ajudar Alberto, que não seria fácil, pois cada passo que dá para desvendar o caso, mais aquelas sensações, aparecem no dia a dia. Em vários momentos ele recebe intuição sobre o que perguntar, mas não é do acaso. “Alguém” muito próximo a ele, o orienta de outro plano invisível.

Quem segue a Doutrina Espírita vai dizer que quem ajudava era um espírito desencarnado que viveu em outro plano, em outra vida passada. Os que não seguem esta doutrina devem pender para o lado que afirma ser mera intuição.

O importante, independente de sua orientação religiosa, nos remete a algo que pode ter acontecido com alguém – ou com todss. Quem nunca, estando em uma indecisão, sente o caminho para resolver, assim, “do nada?”. O longa dirigido por Wagner de Assis e baseado no best-seller homônimo de Zíbia Gasparetto mostra isso.

Há ainda uma clara representação de como deve ser o lado obscuro que alguns personagens seguem e que, depois, mesmo sendo absolvidos na justiça terrena (a dos homens), colherão o que plantaram em vida.

Destaco também a atuação de Beth Goulart, como Maria Julia Camargo, peça fundamental que liga toda a trama. E fica a dica: Prepare-se para o final, uma vez que poderá chorar com o desfecho.

por Carlos Alberto Quintino – especial para CFNotícias

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Sony Pictures.