Kátia Klein, vivida por Carolina Dieckmann, é uma escritora que está sofrendo para terminar seu segundo livro. Isso por causa de perder-se na narrativa. Vários compromissos e notificações de celular, afastam-na de seu foco. São os filhos Duda (Stéfano Agostini) e Bê (Rafael Fuchs Müller), escola, relacionamento com o marido Zeca (Caco Ciocler)… a pressão é grande.
Parece que está tudo descontrolado em sua vida. E uma das razões, sem que ela admita, é sua dependência por álcool. Ela afirma que parou há 15 anos, mas não é o que você vê ao assistir ao longa nacional “(Des)controle”.

A vida da protagonista fictícia, mas baseada em fatos reais, faz os espectadores refletirem profundamente sobre o que pode levar uma pessoa a depender do álcool. Será este excesso de compromissos? Será uma tendência à depressão?
Aparentemente, Kátia vive, apesar desses compromissos, alegre. Ela acha que precisa de liberdade. Será uma fuga? Ao longo da trama, acompanhamos estes conflitos da personagem, entrando em situações que pensamos que ela vai admitir o problema e parar o consumo de vez. Mas, ela não para. Quem já teve algum caso na família conseguirá se identificar com tal cenário.
Kátia tenta não pedir ajuda, por não admitir que precisa, afinal, não se considerar dependente. Sua mãe, Esther (Irene Ravache), até acha que pode ter sido negligente na criação da filha, mas isso não resolve.

O pai, Levi (Daniel Filho), tenta, da maneira dele, meio “bonachão”, ajudar a jovem. Os filhos presenciam os desvios da mãe que se desculpa continuamente, mas não consegue manter a palavra e volta a se entregar às garrafas de bebida.
Com direção dupla de Carol Minêm e Rosane Svartman, a comédia dramática mostra toda a trajetória de uma pessoa, principalmente uma mulher, nesta busca em ter esta liberdade, mas sem saber que essa libertação está vinculada à decisão de abandonar velhos hábitos. Carolina Dieckmann mostra essa trajetória com muita maestria.

O roteiro escrito por Felipe Sholl, Rosane Svartman e Iafa Britz, com colaboração de Bia Crespo e Gabriel Meyohas é comovente. Vale assistir ao filme, ainda mais se você tiver alguém de seu convívio, em semelhante situação.
Prepare-se para se apaixonar, emocionar, e, quem sabe, até mesmo chegar às lágrimas, visualizando em “(Des)controle”, a luta que Kátia trava consigo mesma para se resgatar.
por Carlos Alberto Quintino – especial para CFNotícias
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Elo Studios e Sony Pictures.