Desde 2015, a franquia de games de terror “Five Nights at Freddy’s” (FNAF) cresce em popularidade e complexidade, com mais de uma dúzia de jogos lançados até o momento, além de livros e quadrinhos, finalmente ganhando seu primeiro live-action em 2023, um longa-metragem feito direto para streaming que ganhou um período de exibição nos cinemas com inesperado sucesso de audiência.
Porém, junto com o sucesso veio a chuva de críticas. O visual dos animatrônicos assombrados e as sequências de perseguição com esses eram incríveis, mas o roteiro, apesar de coeso, era extremamente raso.
Agora temos “Five Nights at Freddy’s 2” (FNAF 2), trazendo uma série de expectativas. A nova obra – uma continuação direta do primeiro filme – traz de volta os sobrevivente Mike (Josh Hutcherson ), Abby (Piper Rubio) e Vanessa(Elizabeth Lail ), enfrentando uma nova ameaça ligada ainda às origens sombrias da pizzaria assombrada, algo tão grande que ameaça massacrar a cidade inteira.
Mike está em processo de superação de seus traumas mas a descobertas de uma pilha de segredos de Vanessa pode ruir tudo, piorada ainda pelo comportamento impulsivo do personagem. Abby está começando a fazer amigos, mas ainda encontra dificuldades, as quais são pioradas por professores extremamente autoritários. Assim, os animatrônicos são seu refúgio emocional e sua mente permanece extremamente vulnerável.

Vanessa tem pesadelos (em excelentes cenas) do pai psicopata perseguindo ela, ao mesmo tempo em que vamos conhecendo vários detalhes sobre a história amaldiçoada da pizzaria e sua luta pessoal para não enlouquecer com um passado tão traumático.
Vamos agora às estrelas da festa, os animatrônicos. É mantido o genial trabalho da empresa Jim Henson Company, a mesma que fez clássicos com bonecos como “Os Muppets” e “Cristal Encantado”, desta vez com uma leva nova de personagens , com o dobro da quantidade e uma variedade grande de visuais, além da movimentação permanecendo com grande expressividade. E se o número de animatrônicos aumentou, também ocorre o mesmo com as cenas de perseguição e os tipos de interação.
A nova versão da animatrônica Chica (calma, há um motivo bom nos filmes para os novos bonecos e personalidades) é interpretada pora Megan Fox, que já fez terror como a vilã de “Garota Infernal”, e possui uma excelente sequência na qual se destaca ao invadir o colégio de Abby.

Para os fãs dos jogos existe uma sequência inteira de cenas em uma sala de segurança, sequência fundamental para todo desenvolvimento da trama, que remete justamente à fase clássica dos primeiros jogos da franquia, com a tentativa de sobreviver aos mais diversos tipos de ataques. Contudo, esta não é uma adaptação do segundo jogo ou algo similar, e sim uma história nova que se inspira sem copiar diretamente os conceitos da franquia, com ênfase nas assombrações apresentadas neste jogo.
Outro aspecto importante: se no primeiro longa temos o foco no suspense sobrenatural, em “Five Nights at Freddy’s 2” há um misto de horror tecnológico com roteiro de assombração e uma pitada de slasher, evoluindo a profundidade da história, dos personagens e do cenário em si. Dica: para permanecer até depois da primeira leva de créditos, que dá a base para o próximo filme, caso prossigam a ideia original de ser uma trilogia.
E lembro novamente que é uma história original que bebe dos games, inclusive supervisionada diretamente pelo criador original Scott Cawthon, de forma que só é necessário ver o primeiro título para entendê-lo, sem necessidade de ter consumido qualquer outro material.
Quem gostou do antecessor, ou mesmo achou só interessante (mas fraco), deve gostar da continuação, melhor em vários aspectos. Fica minha recomendação para filme de bonecos malignos (subgênero que adoro).
por Luiz Cecanecchia – especial para CFNotícias
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Universal Pictures.