Crítica: A Hora do Mal

O terror é um gênero em constante reinvenção. Seja pela ousadia na linguagem, pela quebra de convenções ou pela maneira como manipula o olhar do espectador, os melhores filmes do gênero são aqueles que desafiam expectativas. “A Hora do Mal” (Weapons), novo trabalho do diretor Zach Cregger, se insere nesse esforço de inovação ao apostar tanto na narrativa, quanto na linguagem cinematográfica, como ferramentas de inquietação.

Na trama, todas as crianças de uma sala de aula desaparecem misteriosamente na mesma madrugada — com exceção de uma. A professora Justine (Julia Garner) se vê no epicentro do mistério, que abala a pequena comunidade local e levanta dúvidas inquietantes: o que, ou quem, está por trás dos desaparecimentos?

Com um elenco de peso, o filme entrega performances marcantes. Julia Garner encarna com o papel da professora abalada, enquanto Josh Brolin interpreta Archer, o pai desesperado de uma das crianças.

Bennedict Wong contribui com o papel de Marcus, diretor da escola, enquanto Amy Madigan rouba a cena como a enigmática Gladys Lilly. Mas o verdadeiro destaque é o jovem Cary Christopher, que dá vida a Alex Lilly — o único aluno restante. Sua atuação entrega emoção genuína e complexidade, sendo o ponto final que o longa precisava.

Do ponto de vista narrativo, “A Hora do Mal” acerta ao construir personagens sólidos e relacionamentos críveis, algo que nem sempre é priorizado em obras do gênero. No entanto, esse investimento dramático cobra um preço: a produção se arrasta em sua primeira metade, gastando quase duas horas em construção, sem acelerar o passo.

O problema é que, quando o clímax finalmente chega, ele parece apressado e truncado. Com menos de trinta minutos para amarrar todas as pontas, o desfecho recorre a soluções abruptas que, embora funcionais, enfraquecem o impacto derradeiro.

Ainda assim, a obra se destaca como uma experiência imersiva de suspense psicológico. Cregger demonstra domínio técnico, utiliza ângulos e iluminação de forma criativa e entrega uma atmosfera inquietante que se sustenta até os últimos minutos. O mistério central mantém o espectador envolvido, mesmo quando o ritmo vacila.

“A Hora do Mal” não é perfeito, mas merece ser visto — especialmente na tela grande. É um filme que provoca, assusta e deixa reflexões no ar. Um passo ousado no terror contemporâneo, ainda que tropece ao tentar correr no final.

por Artur Francisco – especial para CFNotícias

*Título assistido em Pré-Estreia promovida pela Warner Bros. Pictures.