Crítica: Valor Sentimental

Destaque na próxima temporada de premiações, já tendo em conta algumas vitórias e várias prováveis indicações, “Valor Sentimental” (Affeksjonsverdi / Sentimental Value) traz uma narrativa que se confunde entre a realidade e a ficção, na qual vemos o trio protagonista – formado por um pai e duas filhas – com uma vida um pouco complicada.

Ele, Gustav Borg (Stellan Skarsgård), é um Diretor de Cinema que não cumpriu com suas obrigações paternas; a filha mais velha, Nora (Renate Reinsve) é uma atriz de teatro que enfrenta um dos maiores temores dos profissionais da área: o pânico de palco, assim como as dificuldades em manter um relacionamento amoroso mais sério. Completa a tríade, a caçula / historiadora, Agnes (Inga Ibsdotter Lilleaas).

Há longos quinze anos sem filmar nenhum projeto, Gustav está de volta à residência onde viveu com a esposa (recém-falecida), e quer dar andamento a um roteiro baseado em sua família, cujo texto falará, particularmente sobre sua mãe, Karin (Vilde Søyland) – sobrevivente do Nazismo – que se suicidou.

Porém, Nora não concorda, até porque a relação deles não é boa, uma vez que ele ficou longe de casa por anos. O conflito está estabelecido e é muito grande. Tudo gira em torno da ideia de Gustav que, não só almeja falar sobre a vida particular de seus familiares, como quer fazê-lo a partir de cenas que deseja rodar na casa onde moraram, que ficou muito tempo preservada por ter valor sentimental, daí o nome do filme.

Insatisfeita consigo mesma, Nora recusa o papel a ela oferecido e quem protagoniza a obra não é bem quem Gustav queria, e nem a própria atriz: a estrela de Hollywood, Rachel Kemp (Elle Fanning). Cria-se um novo dilema acerca da produção.

Dirigido por Joachim Trier (também co-roterista junto a Eskil Vogt), “Valor Sentimental” é um drama de relação familiar que se confunde com o trabalho que ambos têm em comum, apesar de serem apresentados de forma distinta: o pai, na telona; a filha, nos palcos.

Ao longo de 133 minutos, o drama norueguês entrega uma história que se desenvolve entre conflitos e momentos de humor. E o público, ao assistir, naturalmente acabará torcendo para que os personagens se acertem e se aproximem.

Muito válido como reflexão, daquelas para se levar para a vida.

por Carlos Alberto Quintino – especial para CFNotícias

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Retrato Filmes.