
Crítica: The Alto Knights: Máfia e Poder
Em Hollywood, é comum vermos atores assumindo múltiplos papéis em um mesmo filme, seja para explorar dualidades ou para um exercício de interpretação desafiador. Em “The Alto Knights: Máfia e Poder” (The Alto Knights), Robert De Niro se coloca nessa posição ao interpretar dois personagens que representam estereótipos distintos dentro das clássicas histórias de máfia.
De um lado, Frank Costello, um mafioso calculista e carismático que busca estabilidade no crime organizado; do outro, Vito Genovese, um assassino paranoico que prefere a força bruta ao invés da diplomacia. A desenvoltura de De Niro é impressionante, não apenas diferenciando visualmente os personagens, mas alterando até sua voz e postura para construir duas figuras tão distintas e críveis.
O longa, dirigido por Barry Levinson, bebe diretamente da fonte de “Os Bons Companheiros” de Martin Scorsese, desde sua estrutura narrativa até a forma como os eventos são apresentados ao público.
A história é contada de maneira quase documental, com o protagonista narrando os acontecimentos, guiando a audiência por décadas de intrigas, alianças e traições no submundo do crime de Nova Iorque. Esse artifício confere à obra um tom de veracidade, tornando-a quase uma crônica do crime organizado.
O roteiro de Nicholas Pileggi (um veterano do gênero que inclusive também escreveu “Os Bons Companheiros”) se ancora em eventos históricos reais para construir a trajetória de seus personagens, utilizando períodos marcantes como a Lei Seca, a Segunda Guerra Mundial e o Macarthismo para contextualizar as mudanças no crime organizado.
As intrigas são densas e repletas de joguetes políticos, onde as alianças se formam e desmoronam ao sabor das conveniências. No entanto, esse excesso de política e a falta de sequências de ação mais marcantes podem afastar espectadores que buscam uma experiência mais visceral e menos calcada em diálogos estratégicos.
Barry Levinson claramente tenta emular a direção de Scorsese, com planos longos, montagem ágil e um uso preciso da trilha sonora para reforçar momentos-chave da narrativa. No entanto, essa tentativa de replicar o estilo do mestre do cinema de máfia por vezes parece uma homenagem excessiva, tornando o filme menos autoral e mais uma extensão de obras anteriores do gênero.
No fim das contas, “The Alto Knights: Máfia e Poder” não reinventa a roda, mas se destaca pela presença magnética de Robert De Niro em dois papéis simultâneos. A interação entre Frank e Vito é um dos grandes trunfos da obra, permitindo que o veterano ator brilhe em performances contrastantes dentro de um mesmo enredo.
Para fãs de filmes de máfia e histórias sobre o crime organizado, a produção oferece um prato cheio de intrigas e reviravoltas políticas. Já para aqueles menos acostumados com esse universo, a ausência de ação e a complexidade dos jogos de poder podem tornar a experiência um tanto arrastada.
por Marcel Melinsk – especial para CFNotícias
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Warner Bros. Pictures.