“Salve Rosa” é um filme nacional profundo, que nos leva a refletir até onde pais estão corretos em incentivar, principalmente filhas, a seguirem a qualquer custo, uma carreira de influencer / yotuber.
São inúmeras as histórias de meninas tornam-se modelos / manequins, que, em alguns casos, são frustrações das próprias mães que se espelham nas filhas para obterem a satisfação que elas não tiveram. Na verdade, elas não se importam com o que garotas querem.

Este é o caso de Rosa (Klara Castanho). O sucesso de seu canal, no qual se mostra expansiva, alegre, comunicativa, não representa realmente como ela é fora da “telinha”: muito tímida, principalmente por ser recém-chegada do interior.
Ao adentrar na escola, vê celulares a postos, mostrando que não tem mais privacidade. Todavia, com o apoio e incentivo de sua mãe, Dora (Karine Teles), que a qualquer momento quer gravar vídeos, ela até curte a situação.
Aparentemente, as personagens levam uma vida comum, a não ser pela visibilidade no canal. Não é bem assim: Dora é uma professora de português, porém tem um lado obscuro. Enquanto coloca Rosa para dormir, vive outra realidade. Ou seria uma válvula de escape diante do fato de ser uma mãe solteira?

Por um descuido de Dora, que monitora até as mensagens que a adolescente recebe, Rosa consegue outro celular, descobre o lado sombrio da mãe e quer se libertar. Porém, ao invés de liberdade, ganha mais vigilância. Quase uma prisão, mostrando que Dora estava disposta a tudo para manter o tipo de vida conquistado através da exposição de sua filha.
Dirigido por Susanna Lira, “Salve Rosa” é muito mais que um entretenimento. É um alerta. E mesmo tratando de um assunto delicado, o roteiro de Ângela Hirata Fabri consegue trazer humor, leveza, inocência, e, principalmente, tensão.
por Carlos Alberto Quintino – especial para CFNotícias
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Elo Studios.