Crítica – Quarteto Fantástico: Primeiros Passos

Chega aos cinemas mais uma versão da saga de super-heróis com poderes incríveis, ou melhor, fantásticos, que irá divertir a família com sua história leve e pitadas de aventura. “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos” (The Fantastic Four: First Steps) é a nova produção da Marvel/Disney que leva às telas este grupo de pessoas que luta pela segurança e evolução da raça humana.

O diferencial reside na escolha da década de 1960 para a ambientação da trama, o que confere ao filme um estilo único e saudosista de uma época mais simples e inocente. O Quarteto Fantástico do título é formado por astronautas que, ao chegarem ao espaço passam por uma tempestade de raios cósmicos que os transforma para sempre, pois ao retornar ao planeta Terra, descobrem que ganharam poderes sobre-humanos.

O líder da equipe, Reed Richards / Sr. Fantástico (Pedro Pascal), pode esticar seu corpo como se fosse de borracha. Sue Storm / Mulher Invisível (Vanessa Kirby) possui a habilidade de se tornar invisível e gerar campos de força. Já se irmão, Johnny Storm / Tocha Humana (Joseph Quinn), pode voar e controlar o fogo. Por fim, Ben Grimm / O Coisa (Ebon Moss-Bachrach) foi transformado em uma figura rochosa com força extrema e invulnerabilidade.

A narrativa do longa dirigido por Matt Shakman conta a trajetória dos protagonistas desde quando ganharam os poderes e começaram a enfrentar vilões como o Homem Toupeira (Paul Walter Hauser) e catástrofes naturais que colocaram a vida das pessoas em perigo. Só que uma ameaça maior chega diretamente do espaço com a mensageira Shalla-Bal / Surfista Prateada (Julia Garner) que anuncia a chegada de seu mestre Galactus (voz de Ralph Ineson), um gigante impiedoso que devora planetas.

O estilo da produção segue as origens dos quadrinhos da era de ouro, ou seja, uma época em que as histórias eram mais simples e sem tanta violência, ao trabalhar mais as questões de heroísmo e valores familiares. Visualmente, a produção está maravilhosa, pois a década de 1960, em minha opinião, sempre mostrou roupas mais elaboradas e esteticamente agradáveis. Além de que nas HQ’s foi um período de avanço tecnológico incrível, demonstrado em tela de maneira muito competente.

Nessa versão alternativa da Terra, há foguetes que levam os astronautas ao espaço e depois aterrissam sem perda do equipamento, coisa que hoje, em nosso mundo real, ainda está em fase de ajustes. Também há robôs com consciência, como o pequeno H.E.R.B.I.E. (voz de Matthew Wood), que auxilia o Quarteto Fantástico em diversas situações. Inclusive é peça chave em momentos de perigo, entre outros aparatos tecnológicos sensacionais.

Um ponto (que não consigo entender o motivo até agora) foi que Reed continua sendo um cientista muito inteligente, mas tiraram sua personalidade de líder  forte e impactante, um de seus grandes diferenciais nas páginas das revistas.

Por outro lado, mantiveram as qualidades de tomada de decisão e inteligência acima da média humana e de temperamento forte de Sue que, além de manter a sua condição de liderança junto com o marido, teve a oportunidade de atuar em um arco importante dos quadrinhos por estar grávida e ser a futura mãe de Franklin Richards, um dos personagens mais fortes do universo da Marvel.

Johnny e Ben foram poupados de mudanças mais radicais e podem ser vistos como grandes amigos, heróis e o grande complemento da inteligência e liderança de Reed e Sue, por representarem o coração e a alma do grupo.

O filme não trabalha com a violência explícita, e sim com cenas mais voltadas à ação e aventura, o que deve garantir a diversão de pais, mães e filhos. O foco é maior na dinâmica familiar e na amizade, mesclando-se com sequências de combate contra forças do mal.

Esta é uma tentativa de fechar o ciclo de multiversos, e não mais se prender apenas a ideia de trabalhar com personagens que nem sempre retratam as mesmas características físicas ou enredos dos quadrinhos, para apresentar histórias diferentes.

Ao que parece (nem sempre a pretensão se mantém até o fim, dependendo da apreciação ou não do público), a equipe será oficial na nova etapa da Marvel no cinema, contracenando com outros personagens aclamados pelos fãs, a fim de mesclar os universos em um único.

por Clóvis Furlanetto – Editor

*Título assistido em cabine de Imprensa promovida pela Walt Disney Studios Br.