Crítica: Pânico 7

Talvez o ponto de partida mais honesto para esta crítica seja admitir: os fãs da franquia certamente vão gostar, alguns podem até amar este novo capítulo. Ainda assim, mesmo entre os mais devotos, deve persistir a sensação de que falta algo para colocá-lo entre os melhores da saga.

Já para quem não acompanha a série com tanto entusiasmo, o filme pode soar apenas “ok”: competente, por vezes interessante, mas distante de ser memorável. É aquele caso clássico do “é bom, mas falta alguma coisa”.

“Qual é a regra agora?” Possivelmente essa é a pergunta que mais ecoa em “Pânico 7” (Scream 7). Há três décadas reinventando o slasher com metalinguagem afiada e comentários sobre o próprio gênero, a franquia chega a um ponto delicado: como surpreender, quando quase tudo já foi feito?

As turbulências nos bastidores, incluindo as saídas de Melissa Barrera e Jenna Ortega, abriram espaço para o retorno de Neve Campbell como Sidney Prescott – que agora usa o sobrenome de seu marido, Mark Evans (Joel McHale). Sua volta reposiciona a narrativa no terreno da nostalgia, motor que mantém a saga viva desde o soft reboot iniciado no quinto filme.

Agora, Ghostface mira novamente na família da protagonista, explorando uma nova paranoia: a manipulação digital. Em tempos em que as redes foram dominadas por IA e nada é confiável, a ideia de ressuscitar fantasmas do passado neste caminho é, no mínimo, interessante, mas faltou tempero nesse molho.

O roteiro assinado e dirigido por Kevin Williamson tenta atualizar a fórmula, mas brinca menos com as regras do gênero do que o esperado. Os suspeitos seguem arquétipos conhecidos: o namorado devoto, o amigo excêntrico, vizinhos estranhos e as autorreferências funcionam mais como piada interna do que como comentário afiado. Há criatividade na proposta, mas falta ousadia na execução.

O maior problema, porém, está na resolução. Em uma franquia que sempre soube transformar revelações em momentos memoráveis, o desfecho aqui soa apressado e pouco inspirado. As motivações carecem de impacto, e a solução dos vilões, longe de surpreender, evidencia o desgaste de uma fórmula já muito explorada.

Interessante e criativo em alguns pontos, “Pânico 7” mantém a chama acesa, mas sem o brilho de antes. Talvez seja hora de Ghostface encontrar novos caminhos, adicionando subgêneros ou uma fórmula diferente de narrativa, antes que o mistério perca de vez o fôlego.

por Rogério Oliveira – especial para CFNotícias

*Título assistido em Sessão Regular de Cinema.