Crítica: Orwell 2+2 = 5

“ORWELL: 2+2=5” é impactante, com cenas “pesadas”, tensas. É biografico, porém possui algo que está acontecendo nos dias de hoje, sendo um espelho desconfortável apontado para o nosso tempo.

Ao revisitar a vida e as palavras de George Orwell, o filme nos lembra que a manipulação da linguagem não começa com tanques nas ruas, mas com pequenas concessões à mentira, repetidas até parecerem normais.

Mostra como essa lógica de manipular a verdade está vigente em pleno século XXI nos “famosos discursos políticos”, em redes sociais virtuais, uso de algoritmos e inteligência artificial, em nome do poder para manipular a sociedade.

Entre imagens duras, por vezes quase sufocantes, a narrativa nos confronta com uma pergunta inevitável: quando passamos a aceitar que 2+2 pode ser 5? Talvez o alerta de Orwell nunca tenha sido tão atual — e tão urgente.

No documentário, filmagens e se fundem com outros filmes, textos do Orwell explorando sua vida, sua obra — especialmente “1984” e  imagens de eventos atuais para chamar a atenção para o que acontece agora neste século.

Veem-se cenas de Putin, Trump, manifestações… No subtítulo, “2+2=5”, que contradiz a matemática, mas vai ao encontro da Quântica, mostra o flagrante para distorcer a realidade e manipulação ideológica que aparecem em “1984”, usado aqui como metáfora para regimes autoritários e controle da informação. Surgem palavras como democracia, liberdade, segurança e paz quando, na verdade, querem implantar exatamente o oposto.

Pode-se até dizer que “ORWELL: 2+2=5” é um filme profético porque não termina quando sobem os créditos. Ele permanece na inquietação, no silêncio desconfortável, na sensação de que não assistimos apenas a um documentário biográfico, mas a um chamado à consciência.

Ao entrelaçar a trajetória de George Orwell com imagens do nosso próprio tempo, a produção nos conduz a uma reflexão íntima: em que momento nos acostumamos à distorção das palavras? Quando a verdade passou a ser moldável?

A força da obra não está apenas no que denuncia, mas no que nos faz perceber — que a vigilância mais perigosa talvez não seja a das câmeras, mas a da nossa própria acomodação.

“ORWELL: 2+2=5” é um retrato do passado estampado no presente.

por Carlos Alberto Quintino – especial para CFNotícias

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Alpha Filmes.