Crítica – Ne Zha 2: O Renascer da Alma”

As reinterpretações das aventuras do rei macaco Son Goku são as mais famosas no ocidente entre as lendas de origem chinesa, usando de base o clássico “Jornada para o Oeste”, sucesso em parte devido à fama mundial de Dragon Ball que se inspirou nessa coletânea de histórias.

Contudo, mitologia e cultura chinesa vão muito além disso, com o “Romance dos Três Reinos ” inspirando vários games e filmes de Kung Fu e a história de “A Criação dos Deuses”  originando o herói Ne Zha.

No filme “Ne Zha 2: O Renascer da Alma”, o herói título e seu melhor amigo, o príncipe dos dragões, se sacrificaram lutando contra o mal. Um sábio imortal realiza um poderoso ritual para ressuscitá-los, porém, o mesmo é interrompido devido a uma guerra entre humanos, demônios e dragões. Como resultado dessa falha no ritual, Ne Zha e o príncipe se fundem, precisando ir até o Reino Celestial para consertar seus corpos e evitar a guerra.

O primeiro destaque é o vislumbre visual. A animação e as texturas são espetaculares com seu apogeu nos combates elaborados. Cada personagem tem seu estilo próprio de movimentação e poderes únicos que geram momentos incríveis, mesmo quando temos centenas de personagens na tela durante as guerras.

Sendo um mundo com múltiplas espécies inteligentes, cada uma tem seu visual bem característico, com hábitos e habilidades próprias que não são apenas plano de fundo mas possuem micro-histórias para nos contar que vão se entrelaçando com a narrativa principal.

Sobre o protagonista, Ne Zha é uma criança impulsiva , forçada a amadurecer antes da hora por ser a encarnação de um dos poderes que equilibra o universo. O que pode de início parecer uma benção, também o torna temido e odiado por muitos, já que ainda está aprendendo a controlar seus poderes e há um preconceito colossal contra certas linhagens.

Já o príncipe dragão é quase o seu oposto em personalidade, extremamente disciplinado, mas com infância igualmente traumatizante. Tal dualidade controlando o mesmo corpo gera momentos extremamente hilários, em especial na corte celestial onde desconhecem as bases da etiqueta local da nobreza cósmica.

Os vilões são vários e complexos, de tal forma que só ao final descobrimos quem realmente é tomado pelo mal e quem está sendo manipulado em uma trama oculta, gerando ótimas reviravoltas que possuem pequenos componentes plantados ao longo do filme.

Mesmo sendo a continuação de um longa não lançado no Brasil, “Ne Zha 2 – O Renascer da Alma” pode ser assistido sem problemas, uma vez que os primeiros minutos resumem bem a história e vamos sendo apresentados aos familiares dos heróis durante jornada deles.

Uma jornada que parece ser um show de demonstração de poder, mas que mostra duas almas quebradas, de maneira até literal, tentando se reerguer enquanto salvam aqueles que amam. Enquanto se defrontaram com milênios de problemas acumulados de uma hierarquia cósmica rígida presa a uma silenciosa guerra pelo poder.

É a animação de maior bilheteria da história, com 2 bilhões de dólares feitos apenas na China, e o quinto longa-metragem com a maior arrecadação da história mundial, o que despertou o interesse de distribuidores estrangeiros para lançá-lo também fora do país de origem.

Lembro ainda que não é a única produção que trabalha esse herói mitológico em específico, mas sim a mais famosa e uma das raras que temos acesso no Brasil.

Menos um título de aventura e mais uma obra de combate, “Ne Zha 2: O Renascer da Alma” é a medida perfeita para fãs de animes Shonen como Naruto, Dragon Ball  e Bleach.

por Luiz Cecanecchia – especial para CFNotícias

*Título assistido em Sessão Especial promovida pela A2 Filmes.