Emocionante! Comovente! Assim é “Minha Querida Família” (Ma famille chérie).
Quando se inicia, um tédio. A impressão que dá é que a história vai girar em torno dos abusivos ataques de um marido monstro à sua esposa vítima. A viagem de fuga de Estelle (Élodie Bouchez) com os filhos e o reencontro familiar dá outro direcionamento para a história, que muda surpreendentemente de rumo.

Agora os conflitos familiares de anos voltam à tona, entre mãe e filhos. Reencontros cheios de dor – e alegria também – profundamente verdadeiros, onde os laços, os instintos, são mais fortes que as desavenças, e gritam escancarados. É lindo de se ver até mesmo as brigas e implicâncias.
Obra emocional da atriz, diretora e roteirista francesa Isild Le Besco (que também interpreta Manon, uma das filhas), traz um elenco predominante francês, salvo a americana Marisa Berenson (que dá vida à Queen, a mãe) e o italiano Stefano Cassetti (Antônio, o marido agressor), alinhado e seguro, com uma interessante e curiosa mistura de idiomas.

Irmãos e irmãs brigam entre si, e com a mãe, por velhas discordâncias, mas se tornam um exército quando é para defender um dos seus, como no caso de Estelle, em relação ao marido crápula.
O filme explora a complexidade humana, discorrendo em sentimentos de luto, empatia, superação e resiliência. A história é de uma simplicidade gigante, mas os textos e as cenas dizem muito, provocando tamanha emoção em quem está assistindo, e se deixando levar por ele, causando envolvimento e compreensão do cotidiano daquelas pessoas, em seu reencontro familiar.

Um trauma insuperável por uma grande perda une e consola. Outro, por abandono, que causa ódio e desprezo. Uma vingança engraçada, que traz alívio e risos cúmplices. Um amor das antigas, um passeio arriscado, um quadro esquecido. São muitas narrativas dentro da história desse filme de laços e passos.
“Minha Querida Família” é um encanto de tramas normais e particulares da imensidão do universo íntimo de uma família, errada e imperfeita, como são todas as que estão na classificação da humanidade.
por Carlos Marroco – especial para CFNotícias
*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Fênix Filmes.