Baseado no livro homônimo da autora britânica Deborah Levy, lançado em 2016, “Hot Milk” explora os limites da resiliência humana diante das adversidades. Pode-se dizer que a proposta é mostrar até onde e quando uma pessoa consegue aguentar calada as circunstâncias que acontecem sem nenhum controle em sua vida.
A trama acompanha a dupla Sofia (Emma Mackey) e Rose (Fiona Shaw), que é cadeirante, devido a uma misteriosa doença. Rose parece se apoiar na condição de filha de Sofia, usando-a como suporte emocional e, talvez, até como vítima.

A mãe manipula a situação, como se estivesse impedida de andar, e a filha se vê constantemente à sua disposição, servindo como “bengala”. A narrativa se desenrola quando Rose decide buscar tratamento na cidade costeira de Almería, Espanha, um processo dispendioso que promete desvendar seus conflitos internos.
Diante da situação, Sofia, atormentada, busca refúgio em relacionamentos, na tentativa de encontrar sentido para sua vida. No entanto, essas relações podem levá-la a um estado ainda mais complexo.

Sem uma direção clara, a jovem se vê em um dilema. Ela se sente em um constante estado de desconforto, em uma situação incômoda de estar vivendo “presa” à mãe, sem que ela mesma tenha direito de escrever sua história.
Escrito e dirigido por Rebecca Lenkiewicz, “Hot Milk” faz o público contemplar sobre os limites impostos por outras pessoas, bem como sobre até que ponto nos deixamos influenciar por circunstâncias ou indivíduos, em detrimento de nossa própria existência.

“Hot Milk” é um bom drama psicológico que convida à profunda reflexão.
por Carlos Alberto Quintino – especial para CFNotícias
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela O2 Play.