
Crítica: Código Preto
Um grupo de agentes secretos da inteligência britânica com sede em Londres tem atuações de nível internacional. Nesse âmbito tem acontecido um vazamento de informação relacionada com “Severus”, um sistema que, ativado, pode trazer graves consequências.
O chefão da organização, Arthur Stieglitz (Pierce Brosnan), descobre essa traição e envia Philip Meacham (Gustaf Skarsgärd), um agente do mais alto nível, a contatar a George Woodhouse (Michael Fassbender).
Este último é um dos integrantes do seleto grupo e terá a missão de identificar e eliminar o traidor. Para isso, recebe também uma lista com os nomes dos cinco suspeitos – um deles, sem nenhuma dúvida, é o responsável. Um dado que complica ainda mais a missão é que, entre os cinco, está sua própria esposa, Kathryn St. Jean (Cate Blanchett). Para cumprir a tarefa se estabelece o prazo de uma semana.
A pergunta crucial que Meacham faz a George Woodhouse é se, em caso de ser a esposa a autora, ele estaria disposto a assassiná-la. A resposta não é explícita e pouco importa já que, de sê-lo, será o fato efetivo o que a daria.
Boa parte do núcleo central de “Código Preto” (‘Black Bag’) é esse: será que, no caso de ser necessário, Woodhouse cumpriria com sua missão? Em especial porque o casal tem (ou parece ter) uma boa relação conjugal, monogâmica.
A trama avança de forma certeira, apresentando tensos encontros dos cinco suspeitos, com a coordenação de Woodhouse. Todos os personagens têm perfis psicológicos complexos e seus vínculos profissionais, amorosos e sexuais, são mais complicados ainda. Além disso, aparecem renovados elementos sobre “Severus” e seu possível destino e utilização.
Em alguns aspectos poderia associar-se “Código Preto” a outros títulos de organizações oficiais e secretas de alcance mundial, como o “007”, James Bond, ou “Missão Impossível”. Porém, a semelhança para a pouco de ser imaginada. Porque aqui prevalece o dito: personalidades e relações muito elaboradas.
Méritos do roteirista, David Koepp e do diretor, Steven Soderbergh (também responsável pela fotografia e edição). Pessoal com grande número de realizações prévias – 31 e 35, respectivamente.
No relato há pistas falsas, outras que devem ter solidez, desde que finalmente sejam explicadas, e muitas situações que sobressaem. Mas duas têm impacto diverso: uma cena onde se aplica um polígrafo (método que consiste em tentar descobrir quem mente, com eficiência bastante eficaz) e outra, com um atentado a um “jeep”. Neste último caso, o espectador poderá traçar linhas dedutivas, favorecido por uma edição bem elaborada.
Os atores e atrizes cumprem muito bem, em especial Cate Blanchett (outra experiente, pois é seu 56º trabalho em longa-metragens), aqui assumindo a condição de esposa. O mesmo pode-se dizer de Naomie Harris, como uma doutora na área psicológica.
O desfecho, basicamente em dois momentos e com diversas sequências, está à altura de todo o caminho percorrido até aí. Pode-se resumir “Código Preto” como uma realização complicada à qual o espectador deve estar muito atento – porém, compreensível. Inteligente. Bom policial.
por Tomás Allen – especial para CFNotícias
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Universal Pictures.