Imagine que você trabalha em uma central de emergência, com a intenção de atender a pessoas que precisam de ajuda relacionada a questões de Saúde Mental. Em sua ligação recente, a pessoa do outro lado da linha explicita o que a aflige e você tenta auxiliar, mas o usuário não se identifica, apenas pede socorro.
Você busca acalmá-la, mas a pessoa continua apenas dizendo “venham me buscar… eles estão aqui… estão chegando perto de mim”. A equipe de socorristas precisa ser deslocada ao local onde está ocorrendo o evento imediatamente, afinal, quem pede ajuda é uma menina de apenas 6 anos, que se encontra sozinha, dentro de um carro.
Essa é a base da narrativa de “A Voz de Hind Rajab” (Sawt Hind Rajab / The Voice of Hind Rajab), vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza e obra escolhida para representar a Tunísia na disputa por uma indicação na próxima edição do Oscar.

Se não bastasse a óbvia tensão, a narrativa se passa em um cenário de guerra, mais precisamente na faixa de Gaza. A equipe de voluntários da organização humanitária Crescente Vermelho é a que tem a possibilidade de auxiliar a criança, uma vez que pode acionar a Cruz Vermelha para resgatá-la em uma ambulância, só que precisa ser autorizada porque escutam-se tiros.
São longos 8 minutos de distância, mas, se os voluntários forem tentar o efetuar o resgate sem uma estratégia, podem ser atingidos, ou nem mesmo chegar a seu destino. Enquanto este impasse ocorre, os atendentes, principalmente Omar A. Alqam (Motaz Malhees), é o mais afetado pela situação.

Em uma atitude desesperada, ele pensa em sair de seu posto e tentar buscar a garotinha pessoalmente, o que faz com que desestabilize não só a si mesmo, mas também a parte da equipe.
Escrito e dirigido pela cineasta tunisiana Kaouther Ben Hania, “A Voz de Hind Rajab” leva às telas uma história real, com elementos verdadeiros, como a ligação telefônica é da Hind, o que aumenta o impacto do longa.
Um filme muito tenso, que mostra a realidade de uma garota inocente no meio desse conflito, enquanto ambos os lados que se degladiam muitas vezes por disputa de poder, nem sempre estão na zona de conflito.
por Carlos Alberto Quintino – especial para CFNotícias
*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Synapse Distribution.