Crítica: “A Maldição de Cinderela”


Filmes splotation têm como principal objetivo divertir o espectador através do uso exagerado –  por vezes com tendência caricatural, sem ser um sátira ou uma comédia – de temas controversos, com a violência escancarada, claramente sendo a base do nosso longa de hoje.

“A Maldição de Cinderela” (Cinderella’s Curse) traz a personagem título (interpretada por Kelly Rian Sanson) vivendo a situação clássica de humilhação pela madrasta cruel enquanto busca por um príncipe encantado,  mas em um mundo muito mais macabro e assustador, o que a leva a fazer um pacto demoníaco.

Quando vi o trailer, imaginei algo similar ao clássico “Carrie, a Estranha” adaptado ao mundo dos contos de fadas. Ao invés disso, achei uma divertida releitura de “Evil Dead 2” numa Europa georgiana.

O exagero dos efeitos práticos de gore que buscam o espetáculo e não o realismo. Um livro arcano claramente inspirado na versão do Necromicon do Sam Raimi. Uma frota de demônios. Até o a ideia do terror que não se leva tão a sério, mas sem criar uma cópia da franquia protagonizada por Bruce Campbell, e sim criando um mundo com seus próprios personagens e mecanismos sobrenaturais.

Se o baixo orçamento fica bem claro com vários cenários de estúdio e o CGI risível,  cada recurso é feito com o máximo de capricho possível, destacando-se os efeitos práticos de morte. A trilha sonora se une com a paleta de cores reforçada pelas atuações levemente (e propositadamente) exageradas, para dizer que o filme deve ser levado como uma grande brincadeira macabra com os gêneros trash e dark fantasy.

O sapatinho de cristal tem um significado bem distinto, o que gera camadas a mais de interpretação quando vira a arma principal de uma Cinderela slasher cheia de fúria e de poder demoníaco.

Considerando o quão macabras são as versões originais da maioria dos contos de fadas anteriores ao século 19, quando a maioria deles foi infantilizada e transformada em histórias moralizantes, sempre é interessante ver esse retorno às origens sinistras, como já tivemos com João e Maria no cinema há alguns anos.

Por outro lado, fica visível que estamos vivendo um momento pós-Terrifier,  com vários filmes de baixo orçamento deixando de lado os limites de violência gráfica, para proporcionar um bom show nas telas de cinema, sem medo de grandes problemas de distribuição. Há um público formado que deseja esse tipo de conteúdo e a diretora do filme (Louisa Warren) mostra claramente o carinho que tem pelo estilo nesse material.

Stephen King fala daqueles que apreciam o gênero terror por ser como uma montanha russa, onde você pode apreciar altas emoções em segurança por saber que tudo é fantasia, o que fica bem evidente nesse subgênero.

E claro que existe o aspecto catártico da obra, afinal, temos alguém matando todos os familiares tóxicos após anos de sofrimento.

Para quem curte um bom filme trasheira ou tá aguardando “Terrifier 3”, “A Maldição de Cinderela” é uma ótima recomendação.

por Luiz Cecanecchia – especial para CFNotícias

*Título assistido em Pré-Estreia promovida pela A2 Filmes.