Margot Robbie marcou a cultura global com dois personagens icônicos: a Arlequina, nos filmes de super-heróis da DC Comics, e a Barbie, no longa inspirado na maior linha de bonecas da Mattel. Agora temos a atriz como co-protagonista de um material original estrelado por Colin Farrell, o qual, coincidentemente também teve um grande sucesso recente graças à DC Comics, só que interpretando o vilão Pinguim.
Em “A Grande Viagem da Sua Vida” (A Big Bold Beautiful Journey), David (Collin Farel) é um homem solitário em meio a uma grande onda de azar. Durante uma festa de casamento, ele conhece Sarah (Margot). Guiados por um aparelho mágico, eles entram em uma jornada pelos momentos mais marcantes e traumatizantes da vida de cada um.

O primeiro trunfo da produção é a capacidade de alternar entre estilos narrativos, sem se perder. A ideia é de comédia romântica leve com tom mais íntimo, mas a forma como é contada a história vai se modificando, à medida que a magia que guia os dois lança os personagens dentro de suas próprias memórias, gerando cenários e situações insólitas.
Assim, temos momentos que emulam teatro, musical, road movies e pausas contemplativas, tudo refletindo os medos e desejos pessoais, mas ainda mantendo a coerência temática da obra, graças à excelente fotografia.
Isso não é à toa. A arte em seus múltiplos aspectos é mostrada como uma ferramenta poderosa de cura. Mais do que nos anestesiar entupindo nossos sentidos com ela, podemos usá-la para reimaginar e reinterpretar nossas memórias, dúvidas e emoções.

Claro que isso significa trazer à tela erros do passado que gostariam que ficassem ocultos, assim como experiências emocionais desagradáveis. Mais do que um casal se conhecendo de forma progressiva, temos uma verdadeira sessão de terapia, mostrando como muitos problemas de relacionamento são reflexos de vícios que criamos como respostas a traumas não resolvidos.
Nem comédia pastelão exagerada, nem sátira de títulos famosos, muito menos romance açucarado em uma comédia de erros. “A Grande Viagem da Sua Vida” é uma aproximação lenta com momentos dramáticos de dois personagens que têm visões e experiências muito distintas do que é o amor. É recomendado levar um lencinho para os momentos mais intensos.

Como metade das cenas se passa na adolescência dos personagens, temos os anos 1990 compondo boa parte da estética reforçada ainda pelo artefato mágico deste período. Mas sem ser algo forçado, não é criado apenas para vender com base em nostalgia, mas sim uma caracterização dinâmica bem integrada à produção.
A magia em tem um ar específico, reinterpretando um equipamento eletrônico aparentemente comum, mas que realmente parece ter vida própria no dia a dia, relendo o conceito de estrada mágica e portas encantadas – quase uma versão modernizada da ideia de estrada de tijolos amarelos de “O Mágico de Oz”. Curiosa e coincidentemente, há também uma tempestade como base do início dessa jornada.
Uma ode à imaginação humana e à capacidade infinita de recomeçar. “A Grande Viagem de Sua Vida” é uma comédia romântica com toques de fantasia e drama, deliciosa de assistir.
por Luiz Cecanecchia – especial para CFNotícias
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Sony Pictures.