Se você for ao cinema assistir a “Digger” (Digger) esperando encontrar o Tom Cruise das franquias “Missão: Impossível” e “Top Gun”, prepare-se para uma surpresa. Ou melhor: para várias.
A primeira acontece assim que o protagonista Digger Rockwell aparece na tela. Barrigudo, falhas no cabelo – diferente daquele cabelo ajeitadinho ou esvoaçante mesmo em uma moto em alta velocidade -, aparência desleixada… É preciso alguns minutos para acreditar que o personagem é mesmo interpretado pelo astro.

Mas a transformação vai muito além da aparência. O ator deixa de lado a imagem do herói de ação que o consagrou, para viver um poderoso magnata do petróleo envolvido em uma situação que pode colocar a humanidade diante de uma catástrofe.
Escrito e dirigido por Alejandro González Iñárritu, “Digger” mistura comédia, sátira, drama e desastre ambiental em uma história que foge bastante do caminho convencional. E talvez seja justamente essa mudança de direção que faz o espectador perceber que está diante de algo realmente novo.
O filme também reúne um elenco de peso, que conta com nomes como do veterano John Goodman – no papel do presidente dos Estados Unidos, Compson. Além de uma produção visual grandiosa que, vista em uma tela gigante, torna a obra ainda mais singular e ajuda a dar à história a dimensão que ela pretende alcançar.

Mas é Tom Cruise quem acaba sendo o grande destaque. Ao vê-lo completamente transformado, é inevitável pensar em quantas vezes o cinema nos apresentou o ator como o homem que corre, luta, salta e desafia o impossível – e continua jovem, após décadas de carreira. Aqui, ele escolhe justamente o caminho contrário.
“Digger” permite conhecer o profissional disposto a desaparecer atrás de um personagem e experimentar algo muito distante da imagem que construímos dele ao longo de tantos anos. E talvez essa seja uma das maiores curiosidades do filme que deve chegar com força à temporada de premiações em 2027.

Com 2h08 de duração, o longa certamente não segue padrões habituais, o que pode provocar reações diferentes e exigir que os espectadores embarquem em sua proposta, se quiserem aproveitá-lo por completo.
Mas uma coisa é certa: depois de se estabelecer principalmente em títulos do gênero ação, é interessante descobrir que Tom Cruise ainda pode nos surpreender — justamente quando decide não ser aquele que esperamos encontrar.
por Carlos Alberto Quintino – especial para CFNotícias
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Warner Bros. Pictures.