Prefeitura de Araraquara confirma primeiro caso de esporotricose felina em 2026

O Centro de Controle de Zoonoses e Sinantrópicos da Secretaria Municipal da Saúde de Araraquara (SP), informou esta semana que foi confirmado o primeiro caso do ano de um gato infectado com esporotricose no município, na região do Valle Verde. Segundo o informe da Prefeitura, o animal já está em tratamento, e a tutora, após identificar sintomas que podem indicar infecção, foi encaminhada à unidade de saúde para realização de exames.

As equipes da secretaria atuaram durante a última semana na busca ativa por mais gatos e pessoas com possíveis sintomas, além de oferecer orientações para moradores dos bairros próximos. Os profissionais das unidades de saúde também receberam mais informações a respeito do manejo de pacientes com suspeita da doença.

A esporotricose é uma doença provocada por um fungo do gênero Sporothrix que é muito agressivo e já está se espalhando para fora do Brasil. Os gatos são as principais vítimas e os potenciais transmissores. Ela causa lesões cutâneas que podem começar como pequenos caroços (nódulos) e evoluir para úlceras abertas e com secreção. Essas feridas não cicatrizam facilmente e costumam espalhar-se pelo corpo. O tratamento com antifúngico é demorado e muitas vezes não traz os resultados esperados.

“A esporotricose precisa ser levada a sério. Estamos convivendo com esta doença há anos. No começo deste ano, o Ministério da Saúde tornou a notificação dos casos humanos, obrigatória, mas a contagem dos animais – que são os vetores de transmissão – continua a cargo de cada estado. Isso compromete muito o controle e como vemos, ele tornou-se urgente”, explica o professor titular de medicina-veterinária da UNIP, Carlos Brunner.

Segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo, o estado enfrenta um cenário crítico na saúde animal e humana. Segundo o Boletim Epidemiológico da Secretaria da Saúde, divulgado em fevereiro/26, os casos vêm crescendo nos últimos 15 anos.

O Boletim destaca os casos em humanos e informa que “desde a primeira notificação de esporotricose no estado de São Paulo, registrada em setembro de 2011, até o final de 2025, foram notificados 7.834 casos do agravo em todo o território estadual. Desse total, 7.774 casos concentram-se nos últimos dez anos, sendo 6.784 registrados apenas nos últimos cinco anos. Esse cenário evidencia um aumento expressivo e contínuo no número de casos ao longo do período analisado, caracterizando um crescimento exponencial da doença, com pico nos últimos 5 anos”.

No caso da esporotricose animal, já foram notificados mais de 16 mil casos no estado de São Paulo, nos últimos 15 anos. O avanço da doença, que já atinge 84% de transmissão zoonótica (de animal para humano), coloca o tratamento veterinário no centro da estratégia de contenção epidemiológica.

Por se tratar de uma doença que acomete principalmente gatos domésticos que têm acesso livre às ruas e gatos de vida 100% livre, estima-se que o cenário real da esporotricose animal seja substancialmente mais grave do que aquele observado nos dados disponíveis.

Esperança para o tratamento da esporotricose felina

Uma técnica está trazendo esperança para o tratamento da esporotricose felina. Batizado de Sporo Pulse, o equipamento inédito no Brasil, desenvolvido pelo pesquisador Carlos Brunner, pela startup Akko Health Devices, usa a eletroporação para matar o fungo causador da doença.

“Quem tem gato sabe que dar remédio via oral é muito difícil. Eles rejeitam, vomitam e arranham para tentar fugir na hora da medicação. Há muitos medicamentos no comércio, alguns funcionam bem e outros nem tanto. Infelizmente isso só vai ser descoberto depois de meses de tentativa de tratamento e há o risco de se chegar à conclusão de que foi inútil. Dessa forma houve um desperdício de tempo e de dinheiro. Nessa mesma linha, a cada dia que se prolonga o tratamento, aumenta o risco de transmissão a outros gatos e às pessoas, inclusive os responsáveis pelos gatos”, explica Brunner.

A técnica desenvolvida por Brunner exige menor número de manipulações do gato, menor custo, boa eficácia em animais resistentes à terapia convencional e redução do período de tratamento.

Carlos Brunner é um dos maiores especialistas no uso de pulsos elétricos no tratamento de doenças e precursor da eletroquimioterapia no Brasil. O equipamento vem sendo testado há mais de um ano em universidades e em clínicas privadas e já está disponível no mercado.

A técnica atua sobre as células do gato, mas elas permanecem vivas. O segredo está em atuar diretamente no fungo. “A estrutura celular dos fungos é diferente das células, cujos poros se abrem e fecham. No caso do fungo, os poros se formam e não se fecham mais, e ele morre. Trabalho com eletroporação há 18 anos e vi nesta técnica a possibilidade de provocar a formação dos poros irreversíveis nos fungos, devido suas características celulares. Ou seja, matando o fungo e preservando o tecido normal do gato”, explica o prof. Brunner.

Crédito da imagem em destaque: Imagem criada por IA.

da Redação CFNotícias