Originalmente lançado em 1977, “Suspiria” – que volta aos cinemas (em cópias restauradas 4K) e também ganha seu primeiro lançamento oficial em VHS – é perturbador. Tem uma indução de terror permanente, em especial por sua trilha sonora sufocante.
A ideia é boa, mas o argumento é fraco. É um filme diferente, a predominância do vermelho impressiona. Em alguns momentos lembra os títulos de Zé do Caixão, personagem criado / interpretado pelo célebre José Mojica Marins.

A apresentação da escola de alta rigidez com especialização de balé é interessante e poderia render algo muito bem elaborado, mas é pouco lembrada, e a ambientação é quase nada explorada.
Um ponto forte é o cenário: o casarão possui arquitetura exótica, com suas paredes vermelhas e estranhas figuras geométricas, causando uma má impressão, e funcionando como espanto. É como se houvesse a presença constante de sangue nas entranhas do local.
A direção criou cenas enlouquecedoras, com destaque para o início tenso e chocante, mas o roteiro perde força no desenrolar da narrativa, o que evidência um argumento que não sustenta o bastante o que poderia ser uma grande obra de terror.

Tudo gira em torno de Suzy Bannion (Jessica Harper), uma bailarina norte-americana que vai se especializar nessa renomada instituição. Em sua primeira aula, a jovem se sente mal e começa a ser tratada com uma estranha dieta, o que nos faz lembrar de “O Bebê de Rosemary”, de Roman Polansky.
Mas, a falta de pistas durante o desenrolar da trama e a interpretação superficial de personagens centrais (responsáveis por revelar o segredo), diminuem as possibilidades da protagonista, que brilha quase que sozinha por completo, durante todo o longa.

O filme tem bons momentos tensão, contudo, o terror em si não traz nada de novo, e chega a ser dispensável. Seria muito mais atrativo se predominasse o suspense e, a partir disso, o argumento tivesse fosse desenvolvido com mais cuidado.
“Suspiria” trata-se de um clássico do terror, do diretor Dario Argento, que mesmo com todos os apontamentos, obviamente, não perde o mérito conquistado por anos de história, e permanece entre os grandes de sua época.
por Carlos Marroco – especial para CFNotícias
*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela FJ Filmes.