Crítica: Maldição da Múmia

Entre os chamados “Monstros Clássicos” (que têm aparecido em várias produções nos últimos anos), eu considero a Múmia um dos mais interessantes. Mas, será que ainda existe algo de original que possa ser feito a partir dessa figura?

“Maldição da Múmia” (Lee Cronin’s The Mummy) chega aos cinemas para provar que, com um bom roteiro, é possível tirar muito proveito de temas que podem ser considerados batidos ou que já foram usados à exaustão.

Saem as tradicionais bandagens surradas – primeira coisa que vem à mente quando pensamos em múmias -, entra a putrefação do corpo humano (mesmo quando preservado com mais esmero). Esse é um dos maiores diferenciais da obra que conta a história de Katie (vivida por Emily Mitchell na fase criança e por Natalie Grace quando adolescente), que retorna ao seio familiar oito após seu desparecimento no Egito.

O problema é que, esse tempo longe foi passado dentro de um sarcófago, e a jovem é encontrada com todos os indícios de quem foi submetida a um ritual de mumificação (embora não confirme tal fato, uma vez que não parece ter plena consciência do que aconteceu).

Quando coisas estranhas / perigosas / inexplicáveis começam a acontecer diante dos olhos de seus pais, Charlie (Jack Reynor) e Larissa (Laia Costa); seus irmãos Sebastían (Dean Allen Williams / Shylo Molina) e Maud (Billie Roy); e sua avó materna, Carmen (Verónica Falcón), a menina passa a ser considerada uma ameaça a todos ao seu redor, que temem que ela venha a ser responsável por grandes desgraças.

Com outro excelente longa de terror (“A Morte do Demônio: A Ascensão”) em seu currículo, Lee Cronin assume função dupla, escrevendo e dirigindo “A Maldição da Múmia”. Em comum, os filmes têm um corajoso uso de recursos de gore, que não poupam os espectadores de cenas explicitamente grotescas.

Através do ótimo trabalho de maquiagem feito por uma extensa lista de profissionais, tudo se torna mais convincente, com destaque para a aparência doentia de Katie e todos os desdobramentos que sua condição trará. Assim como para o desbloqueio de um novo trauma na plateia, mais uma vez incluindo um objeto de uso corriqueiro.

Quem espera por sustos do início ao fim, talvez se decepcione, mas a proposta de “Maldição da Múmia”, em contar a história com certa calma, para depois entrar numa crescente de horror também é muito interessante e vale ser conferida nos cinemas – ainda mais se for em uma sala com um equipamento de som de qualidade.

por Erik Alves – especial para CFNotícias

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Warner Bros. Pictures.