Crítica: A Noiva!

De tempos em tempos, algum personagem cultuado volta a ser relevante em uma escala que o coloca no centro de mais de uma obra simultaneamente. A “bola da vez” é Frankenstein (ou o “monstro” criado por ele, na obra-prima escrita por Mary Shelley e lançada em 1818).

A criatura pode ser vista na produção feita para streaming, que leva o nome de seu criador e chega forte ao Oscar, concorrendo em nove (merecidas) categorias: Melhor Ator Coadjuvante (Jacob Elordi), Direção de Arte, Figurino, Filme, Fotografia, Maquiagem e Penteado, Roteiro Adaptado, Som e Trilha Sonora.

Assim como também surge com óbvia importância em um longa relacionado a seu universo (ainda que com muitas alterações, inclusive de época), mas que deixa os holofotes sobre outra figura que, finalmente, ganha uma história própria.

Em “A Noiva!” (The Bride!) quem brilha é a personagem título, anteriormente apenas citada no livro da autora britânica e retratada de maneira bem diferente em “A Noiva de Frankenstein”, de 1935 (filme com Elsa Lanchester, cuja representação imortalizou a imagem que se tornaria inspiração para incontáveis roupas de Halloween mundo afora).

Na produção escrita e dirigida por Maggie Gyllenhaal, a indicada ao Oscar de Melhor Atriz por seu trabalho em “Hamnet – A Vida Antes de Hamlet”, Jessie Buckley, é Ida, uma espécie de acompanhante que faz programas com mafiosos da região de Chicago em 1936 e, por consequência, acaba sendo morta por um.

Mas, esse quadro aparentemente irreversível dura pouco, uma vez que Frank (Christian Bale) em conjunto com a excêntrica cientista Drª Euphronius (Annette Bening) têm outros planos para a jovem: trazê-la de volta ao mundo dos vivos, para transformá-la na tal noiva que dá nome ao longa.

A partir de seu retorno, Ida (que acorda sem memória e agora atende por Penelope Rogers) e aquele que imagina ser seu marido viverão momentos ótimos em tela: de perseguições policiais (bem ao estilo Bonnie e Clyde) a uma maravilhosa sequência musical que faz uma surpreendente homenagem a outro clássico: “O Jovem Frankenstein”, do diretor Mel Brooks, lançado em 1974.

Ter Jessie Buckley em grande atuação não chega a ser novidade. E a atriz irlandesa não só faz uma protagonista icônica, como também dá conta de interpretar dois papéis: além de Ida / Penelope, ela também entrega uma versão de Mary Shelley que, diretamente do “pós-vida”, tem grande importância no desenrolar da narrativa.

Nas 2h06 de ritmo frenético de “A Noiva!” ainda cabem debates que, mesmo após tantas décadas, ainda precisam ser levados em conta, em especial, o papel da mulher na sociedade e no mercado de trabalho.

Vale conferir no cinema.

por Ana David – especial para CFNotícias

*Título assistido em Sessão Regular de Cinema.