Crítica: O Primata

Chega aos cinemas um filme de terror que apresenta uma temática que envolverá os cuidados com animais da natureza e como a falta de atenção poderá trazer consequências trágicas. “O Primata” (Primate) mostrará que o verdadeiro perigo está na omissão humana.

A história acompanha a vida de Ben (Miguel Torres Umba), um jovem chimpanzé adotado por uma família, na qual a mãe (já falecida) era uma pesquisadora que ensinou uma forma de linguagem – que inclui Libras – a fim de poderem se comunicar com entre eles. Mas, por causa de uma mordida de um mangusto selvagem, Ben contrai raiva. Aí começa o pesadelo.

“O Primata” poderia ser apenas mais um filme de terror em que jovens em uma casa isolada são atacados por uma criatura ensandecida que comete atrocidades.

Porém, temos uma narrativa densa e psicológica, com um “vilão” que não é mau na realidade, pois, se os “humanos” tivessem cuidado de Ben quando ele foi mordido (e avisou de várias formas que havia algo errado), tudo seria evitado.

Infelizmente, a negligência da família acaba agravando o quadro do chimpanzé que, por causa da raiva contraída, perde sua identidade dócil e a consciência da sua relação com as pessoas com quem convivia todos os dias.

As cenas são fortes, com mortes criativas e bem executadas, que geram uma sensação de impotência e horror no público. Ao contrário do que alguns espectadores possam imaginar, Ben é extremamente inteligente e perspicaz.

Ele não só impede, como antecipa as ações dos jovens encurralados na casa, além de apresentar uma sequência de atitudes sagazes que se equipara a grandes nomes do gênero, ao definir o destino de suas vítimas.

O diretor Johannes Roberts (que assina o roteiro junto a Ernest Riera), descartou a utilização total de imagens geradas por computador para as cenas de Ben e apostou em efeitos físicos ou como são conhecidos “práticos”, com o especialista em movimento Miguel Torres Umba utilizando uma fantasia que permite criar a personalidade do chimpanzé, que passa do carinhoso ou agressivo com eficácia.

Foi uma decisão acertada, assim, é possível ver na tela uma realidade impactante e a interação com os demais atores e atrizes. Desse jeito, fica acreditar no que ocorre na trama.

Em suma, o público encontrará em “O Primata”, cenas bem estruturadas, ação com sequências coerentes e, claro, muito sangue, horror e lágrimas das vítimas.

Vá ao cinema para apreciar uma obra cinematográfica digna dos melhores títulos de terror psicológico.

por Clóvis Furlanetto – Editor

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Paramount Pictures.