A série de livros de suspense “A Empregada”, da escritora Freida MacFadden finalmente ganhou sua adaptação cinematográfica, sendo o objetivo desta resenha analisá-la como obra independente do material original.
No longa “A Empregada” (The Housemaid), Millie Calloway( Sydney Sweeney) é uma jovem adulta que quer reconstruir sua vida ao receber a oportunidade de trabalhar para uma família multimilionária. Porém, a garota tenta proteger seus segredos enquanto descobre, da pior forma possível, os mistérios criminosos por trás das pessoas para as quais presta serviços.
A história é classificada como “domestic noir”. Enquanto nas narrativas “noir tradicionais” temos investigadores autônomos analisando os mistérios de uma cidade, no “domestic noir” o foco do suspense está nas relações íntimas do meio familiar. O papel de Millie como investigadora é muito mais um reflexo de sua necessidade de sobrevivência em um meio estranho.

No roteiro adaptado por Rebecca Sonneshine, há pequenos detalhes visuais e nos diálogos. Logo as primeiras cenas provocam um sentimento estranho, de coisas que desconhecemos sendo acobertadas.
O risco na parede, a frase de uma babá, uma chave fora do lugar, tudo indicada algo ocorrendo ou a tentativa de disfarçar algo maior. O que gera grande importância para os designs de produção e continuístas, já que um erro pequeno tiraria o sabor e coerência da trama rapidamente.
Parte dessa questão dos detalhes se dá pelo filme dirigido por Paul Feig trabalhar em parte o problema de “Gaslight”, um distúrbio psicológico real cujo nome veio de uma produção homônima sobre perturbações intensas geradas por técnicas sutis de manipulação emocional, através de pequenas mentiras e micro-agressões.

Assim, em “A empregada” somos guiados pela protagonista, enquanto esta recolhe pistas do que realmente acontece na casa, de como o comportamento de cada membro da família na verdade é uma carapaça moldada por tragédias que escondem um segredo sombrio que põe a vida de todos em risco.
É interessante como os livros de romance mais quentes popularizaram a imagem da jovem fragilizada que encontra refúgio nos braços de um CEO bonitão. Aqui, a história parece usar isso de trama de fundo para depois arrastar os espectadores por caminhos imprevisíveis, mas que justificam muitos mistérios. Aviso que há algumas cenas bem “quentes”.
A trilha sonora e a correção de cor nos induzem inicialmente a um clima de drama com romance cheio de estranhezas que depois estouram. O toque de suspense inicial cresce com falsos respiros até beirar o psicológico.

Nesse momento, parabenizo os atores e o diretor de atuação, pois a boa interpretação permite alternar entre as camadas de personalidade entrelaçadas de cada personagem, algo necessário para não parecer caricatural ou incoerente o comportamento dos membro da família.
Talvez as últimas reviravoltas tenham momentos por demais expositivos, comprometendo o ritmo, mas ele logo é retomado e intensificado no final, além de amarrar cada ponta solta.
Em tela, “A Empregada” tem uma história completa bem amarrada. Para fãs do gênero, fica aqui minha recomendação.
por Luiz Cecanecchia – especial para CFNotícias
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Paris Filmes.