“Anaconda” foi um marco nos cinemas em 1997. Dirigido por Luis Llosa, com um orçamento de cerca de 40 milhões de dólares, o filme contava com Jennifer Lopez, Ice Cube, Jon Voight, Owen Wilson, Danny Trejo, entre outros.
A história de um grupo de filmagem que, ao registrar um documentário sobre uma tribo isolada da Amazônia brasileira, passa a ser perseguido por uma serpente de 12 metros, rendeu aproximadamente 130 milhões de dólares em bilheteria, inúmeras exibições na TV e deu origem a uma franquia com mais quatro filmes, marcando toda uma geração que cresceu assistindo ao thriller.
Agora, em 2025, a Sony Pictures lança uma nova versão, ou, usando o vocabulário da própria obra, uma reimaginação ou sequência espiritual, do sucesso dos anos 1990.

Dirigido por Tom Gormican, o longa acompanha Doug McCallister (Jack Black) e Ronald Griffin (Paul Rudd), amigos de infância frustrados com os rumos que suas carreiras no mundo do entretenimento tomaram. Como reação, eles decidem recrutar os amigos Kenny e Claire (Steve Zahn e Thandiwe Newton), viajar para o Brasil e recriar algo o filme que marcou suas infâncias: “Anaconda”.
As duas produções são bastante diferentes. A proposta não é refazer o original, mas usar o thriller de aventura como ponto de partida para uma comédia de ação.

A serpente gigante e o desconhecido da floresta amazônica estão presentes em ambas as versões, mas, em “Anaconda” de 2025, funcionam mais como ferramentas narrativas, porque o centro da trama gira em torno dos temas da nostalgia, a crise da meia idade, os relacionamentos de longa data.
Sobre a ambientação, chama atenção o fato de que, mesmo filmado na Austrália, a obra apresenta um Brasil mais genuíno do que o título que efetivamente foi gravado na Amazônia. Parte disso se deve à presença de Selton Mello, Daniela Melchior e Rui Ricardo Diaz.
Ouvir diálogos em português, perceber trejeitos culturais e acompanhar uma subtrama regional, que mesmo não sendo importante para o desenvolvimento geral, conferem mais autenticidade à experiência. Não é uma representação perfeita, mas é significativamente melhor do que a de 1997, que trazia Jon Voight como um paraguaio e Danny Trejo como um amazonense.

“Anaconda” é, no fim das contas, uma comédia sobre crise de meia-idade, recheada de referências à indústria cinematográfica e ao Anaconda de 1997 e protagonizada por atores recorrentes em filmes com o mesmo tipo de humor. É um passatempo despretensioso.
Traz leveza, reflexões, algumas tentativas de surpreender, mas que são bem previsíveis. Não há riscos ou tensões, apenas uma trama divertida para o final de ano.
por Thyago Evangelista – especial para CFNotícias
*Título assistido em Pré-Estreia promovida pela Sony Pictures.