
Em um Brasil futurista devastado por desastres ambientais, pandemias e pela própria soberba humana, resta apenas um sobrevivente: Alê, um típico paulista do Itaim Bibi encarregado de recomeçar a humanidade.
É a partir desse cenário tão improvável quanto familiar que nasce “Branco Ancestral”, espetáculo escrito, criado e interpretado por Jessé Scarpellini, com direção de Bruno Sigrist e preparação de ator de Paula Ravache. A obra ganha apresentação única no dia 08 de dezembro, às 20h, no Teatro Estúdio, em São Paulo.
Misturando sátira, ficção científica e crítica social, o monólogo parte de uma pergunta provocadora: seríamos capazes de reconstruir o mundo sem repetir a hierarquia, o poder e os preconceitos que moldaram nossa desigualdade?
De maneira bem-humorada e desconfortável, a peça mira a branquitude e seus privilégios, expondo seus absurdos através de personagens cômicos e situações exageradas – efeitos de uma lente teatral que amplia o ridículo para revelar o real.
A narrativa acompanha Alê em seu bunker-pop futurista, isolado e cercado por embriões criados pela avó cientista e pela voz de MABÊ, a última inteligência artificial da Terra, programada por seu avô. A solidão extrema o força a revisitar seus hábitos, crenças e fragilidades, enquanto o público é convidado a refletir sobre os seus próprios.
“Branco Ancestral” bebe do imaginário de distopias clássicas exibidas na televisão – como “De Volta para o Futuro” ou “O Homem Bicentenário” – resgatando a nostalgia dessas narrativas para construir uma ficção que dialoga diretamente com as urgências atuais.
Em um pré-ano eleitoral marcado por tensões sociais e extremismos, o espetáculo funciona como alerta e espelho: um convite a rir da nossa própria incapacidade de mudar, ao mesmo tempo em que questiona o que realmente vale a pena perpetuar.
O processo criativo da obra se consolidou a partir de personagens que Jessé Scarpellini criava informalmente nos bastidores de outras produções. Agora, ganham dramaturgia, estrutura e propósito, sempre guiados pela ideia de que o riso deve surgir das situações – e não de um humor gratuito. O resultado é uma viagem “louca e lúcida”, como define o próprio artista, que aposta no riso, no incômodo e na reflexão como disparadores de consciência.
Com duração de 50 minutos, o espetáculo apresenta estética minimalista e flerta com o absurdo e o tragicômico em sua encenação, direção de atores e objetos de cena. A realização e produção são da Scarpellini Produções e Ogum.lab.
Serviço:
Branco Ancestral
08 de dezembro às 20h
Teatro Estúdio
Rua Conselheiro Nébias, 891, Santa Cecília. São Paulo / SP
Duração: 50 min | Classificação: 14 anos
Ingressos: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia) pelo Sympla. Bilheteria abre 2h antes
Acessibilidade: assentos reservados para PCD e pessoas obesas mediante reserva prévia (contato@teatroestudio.com.br).
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da Redação CFNotícias