Crítica: Meu Pior Vizinho

“Não importa se você conseguiu realizar seu sonho. Se você botou todo seu coração em uma coisa, então valeu a pena.”

Os tropos/clichê “enemys to lover” sempre tem alta procura no mundo das comédias românticas e gera situações bem inusitadas, quase um sub-nicho dentro do gênero, onde a diversão está em descobrir como pessoas tão distintas – a ponto de se odiarem inicialmente -vão descobrir o amor entre si. As boas obras fazem isso de maneira fluída e coerente.

Em “Meu Pior Vizinho” (Binteumeotneun Sai / My Worst Neighbor), Lee Seung-jin (Lee Ji-Hoon ) se muda para um apartamento a fim de ter um espaço para treinar para suas audições musicais. Porém, a parede fina resulta em confusões acústicas que evoluirão para conflitos, amizades e algo mais com a vizinha Hong Ra-ni (Han Seung-Yeon)

Ele é um músico beirando o fracasso, tentando agarrar uma rara oportunidade para crescer. Já ela é uma designer de personagens, melhor de finanças, mas em batalha jurídica para realizar seus sonhos. Dois artistas com jeitos bem diferentes de lidar com a vida e seus projetos pessoais forçados a aprenderem a conviver um com o outro.

A primeira meia hora se foca na “guerra sonora” entre os dois, já que, devido aos problemas de construção dos dois prédios onde habitam, mesmo os menores barulhos do dia a dia ressoam de forma incômoda. Ambos são artistas que, por motivos distintos, precisam do maior silêncio possível para trabalhar, resultando em uma série de situações hilárias.

A resolução temporária do conflito abre a brecha para as personalidades de cada um serem aprofundadas. Ele é cheio de energia, porém amargurado com as próprias decisões passadas. Enquanto ela é introvertida, com medo de sair em nível psiquiátrico, devido a crises graves de pânico.

À medida que vão se conhecendo, mesmo sem nunca se ver, descobrem um no outro um apoio para seus sonhos em uma relação complexa cheia de altos e baixos.

“Meu Pior Vizinho” é um remake coreano do longa francês “Blind Date”, invertendo os papéis do casal original, trazendo questões atuais como a influência das redes sociais, as quais são um motor fundamental para certos momentos chaves.

E a própria ideia de “falar de maneira instantânea sem nunca se encontrar pessoalmente” – ao redor da qual gira a produção  – dialoga diretamente com o funcionamento da estrutura das redes, onde colocamos uma quantidade absurda de informações diárias, mas sem ter um contato direto com a maioria das pessoas.

O diretor Lee Woo-chul declarou que sua base foi falar sobre a solidão da vida moderna, mesmo em um mundo cercado de estímulos sensoriais, algo que se encontra diretamente com a questão das redes sociais.

Não deixemos de lado alguns coadjuvantes de peso na história. O melhor amigo / vendedor de frutas super atrapalhado, que tem um coração de ouro. A irmã médica extremante disciplinada. O CEO mesquinho que busca usar a todos como mero degrau de ascensão. Personagens com todos os seus pequenos arcos que enriquecem a trama, dão fundo para os eventos e permitem vermos as diversas facetas do casal.

Para quem curte comédias românticas, sejam títulos mais tradicionais ou doramas, recomendo fortemente assistir a “Meu Pior Vizinho”.

por Luiz Cecanecchia – especial para CFNotícias

*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Sato Company.