No século 21, o terror japonês, que já tinha títulos ocasionais por aqui, teve suas portas abertas no ocidente com a “americanazação” de “O Chamado” e “O Grito”, o que não apenas causou uma onda de adaptações, mas também uma busca do público pelo material original.
Em “Dollhouse”, que chega aos cinemas com a distribuição da Sato Company, uma família tem a alegria com sua nova filha quebrada quando a criança descobre uma antiga boneca, levando a emergir as lembranças de uma antiga tragédia e o renascimento de uma maldição.
A mistura de luto não superado junto com o pavor maternal natural de perder uma criança se mesclam em uma trama de investigação sobrenatural intensa com eventuais pitadas de humor.

Nos Estados Unidos, os filmes de bonecos malignos têm suas inspirações principais em obras como “Um toque de Mágica” e “Brinquedo Assassino”, o que resulta, em sua maioria, em títulos do gênero slasher, com foco no gore e nos momentos de perseguição.
Já o longa escrito e dirigido por Shinobu Yaguchi parte vai por outro caminho, tão interessante quanto e entrega um suspense sobrenatural com toques de horror psicológico e uma pitada de bons jumpscares.

De um lado temos processo de investigação do casal Kae (Masami Nagasawa) e Tadahiko Suzuki (Kôji Seto) para descobrir o que está acontecendo de estranho com sua filha Mai (Aoi Ikemura), o que evolui para pesquisas sobre as origens da boneca, Aya.
Sobre outro ângulo, vemos a desintegração mental progressiva dos familiares ao lidar com situações macabras, relembrar a perda da primeira filha / neta , Mei (Totoka Honda), e serem vítimas de manipulação psíquica da boneca.
Quanto às cenas sobrenaturais, sempre fica a dúvida sobre o que está realmente acontecendo em tela, o que aumenta a qualidade do mistério, ainda mais por não haver um uso evidente de computação gráfica.

Outro ponto interessante são os diversos investigadores que buscam desvendar as bonecas, indo de jovens youtubers inconsequentes a policiais céticos e sacerdotes habilidosos. Pouco a pouco, vamos montando o quebra-cabeça das origens da boneca, de sua maldição e de como ela atua, inspiradas livremente em lendas e costumes do Japão, com uma releitura própria que gera uma mitologia pessoal bem coesa para o filme.
Curiosamente, a trilha sonora opta pelo silêncio, ou melhor, pelo predomínio de sons habituais do ambiente, com música apenas no momento de tensão, o que ajuda muito nos jumpscares e a manter o clima de terror após cada susto.
Para quem gosta de histórias de assombração mais investigativas ou de produções de bonecos malignos, “Dollhouse” é uma boa experiência para conferir nas telonas.
por Isabella Mendes – especial para CFNotícias
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Sato Company.