Em “Lar”, o diretor Leandro Wenceslau se lança ao desafio, ainda pouco explorado no audiovisual brasileiro, de registrar o cotidiano de famílias LGBTQIAP+.
O documentário acompanha três núcleos familiares e, pelo olhar dos filhos, investiga como a não heteronormatividade se manifesta no dia a dia, revelando rotinas fragmentadas, afetos múltiplos e caminhos por vezes sinuosos.

Há algo de profundamente íntimo e desarmado na condução de Wenceslau. A narrativa, construída de maneira fragmentada e sem a necessidade de grandes viradas dramáticas, evidencia o cuidado do diretor com suas personagens e a confiança no poder das pequenas experiências.
O sentimento — e não o conflito – é o fio condutor do filme, que avança sempre com respeito e gestos sutis de afirmação política. Mas essa mesma delicadeza, por vezes, cobra seu preço.
A opção por uma estrutura tão simples acaba flertando com a monotonia, especialmente pela ausência de um eixo dramático mais definido. Em alguns trechos, a obra se dilui em cenas cotidianas que, embora honestas, carecem de impacto cinematográfico e podem dispersar o espectador que busca um ponto de inflexão ou uma síntese mais contundente.

Ainda assim, “Lar” se impõe como obra necessária. Pela representatividade que oferece, pela sensibilidade com que retrata seus personagens e por abrir espaço para histórias que merecem ser vistas.
É um filme importante, ainda que com potencial para ir mais longe.
por Artur Francisco – especial para CFNotícias
*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Embaúba Filmes.