Crítica – Mauricio de Sousa: O Filme

Chega aos cinemas a aguardada cinebiografia do cartunista e quadrinista mais famoso do Brasil e que rompeu as barreiras geográficas sendo publicado em diversos países. Claro que estamos falando de Mauricio de Sousa, que agora terá sua vida contada nas telonas.

No geral, realizar uma cinebiografia é algo complicado, pois existem diversas facetas de uma personalidade que podem ser contadas. Às vezes, por algum motivo, o roteiro é mal desenvolvido, os atores e atrizes são escolhidos sem ter nenhum tipo de aspecto físico característico e o processo de produção parece desconsiderar a realidade da vida da pessoa.

Mas este, felizmente, não é o caso da produção “Mauricio de Sousa: O Filme”. É nítido o cuidado que os roteiristas Pedro Vasconcelos (que também dirige a obra ao lado de Rafael Salgado) e Paulo Cursino, tiveram ao contar a história deste ícone nacional em três fases distintas: sua infância, o início da vida adulta e a busca do sonho.

A escolha do elenco foi feita de maneira correta, a começar pelo protagonista  interpretado pelo filho do próprio retratado na fase adulta (quando criança, o ator mirim Diego Laumar assume o papel).

Mauro Sousa é a cara do pai, literalmente, e também é um ator de mão cheia que pôde contar com anos de laboratório teatral na própria casa. Uma vantagem inestimável para conseguir replicar os trejeitos e expressões necessárias e transmitir ao público a emoção real das cenas.

A escolha de Tathi Lopes como a primeira esposa de Mauricio de Sousa, Marilene, foi mais do que acertada, pois ela é uma atriz incrível e versátil que trouxe para a tela toda a graça e expressividade da personagem.

Vó Dita, interpretada pelo ícone da televisão e cinema nacional Elizabeth Savalla, é outro destaque do elenco, inserindo dinamismo e imersividade à história, a fim de ligar as fases da vida de Mauricio de Sousa na tela.

Poderia ficar o texto todo falando dos acertos de elenco, mas isso não seria justo com os outros pontos importantes do filme, como o cuidado em ouvir o próprio Mauricio e respeitar sua narrativa de vida. A produção relata não apenas o sucesso, mas todos os fracassos enfrentados pelo cartunista e sua família.

Acompanhamos dramas na sua infância – como quando um professor (que nem deveria ter este título tão importante) queima no pátio da escola todas as revistas em quadrinho dos estudantes, para “ensinar” uma lição de vida. Anos depois, Mauricio é considerado “perigoso” pelos jornais de São Paulo na época da ditadura militar e teve que sair da cidade por não conseguir mais trabalhar.

Todas essas dificuldades apenas reforçaram sua determinação. Prestes a completar 90 anos, autor que foi à luta e conquistou tudo que desejava, se mantém firme e sempre em busca de novos desafios. E isso é o que o torna tão importante para a cultura mundial.

“Mauricio de Sousa: O Filme” segue sua trajetória até a abertura de seu estúdio próprio (que, em seu início, foi chamado de “Bidulândia”), o que deixa margem para, quem sabe, uma nova produção cinematográfica, a qual espero que seja feita em breve.

Vá ao cinema e confira esta grande produção nacional com um herói de nossa terra fazendo sua história florescer a cada quadrinho.

por Clóvis Furlanetto – Editor

*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Star Distribution Brasil.