Algumas pessoas têm certo preconceito com monólogos. Pensam que podem ser algo maçante, cansativo, monótono. Mas o que são stand-ups? São a mesma coisa, mas no gênero humorístico! José Vasconcelos já fazia isso há muito tempo, foi o precursor desse tipo de apresentação solo.
Ana Lúcia Torre está completando 80 anos de vida e 60 de carreira. E no monólogo “Olhos nos Olhos” conta passagens de sua trajetória pessoal e profissional. Mas não é aquela coisa de ficar sozinha no palco, uma cadeira no centro, luz baixa, ou somente focada nela.
Ela usa o palco todo em diversos momentos, sendo rodeada por espelhos estreitos verticais, contracenando com eles quando quer falar com ou de alguém – ou com ela mesma -, ou ainda com o público, sempre com leveza, bom humor e vitalidade, que prendem a atenção. Aliás, o público é o segundo “ator” desta peça, já que continuamente a atriz se dirige a ele.
Há mais uma presença no palco: o pianista Diógenes Júnior, que ilustra musicalmente as palavras declamadas por Ana Lúcia. Mas não são quaisquer músicas, são cantor e compositor Chico Buarque, com quem a atriz teve a oportunidade de estar em alguns momentos de sua carreira, principalmente em “Morte e Vida Severina” quando estreou nos palcos com a turma que deu nome ao Teatro da PUC, o TUCA.
A direção musical está a cargo de Pedro Lobo, filho da protagonista. Ao utilizar as letras das composições para contar sua história, ela se torna personagem dessas canções, tais como Geni, Folhetim e, claro, “Olhos nos Olhos”, além de passar pelas vivências políticas e até surgir como porta-voz das mulheres.
Curiosidade: Antes de iniciar a apresentação, é possível conferir as músicas de Chico Buarque no formato instrumental. E logo no início do espetáculo, Ana Lúcia pede desculpas, se em algum momento esquecer sua fala, por isso até justifica a presença do Diógenes que a fará lembrar, em virtude de uma possível falha de memória devido à idade.
E realmente, na sessão em que comparecemos, houve alguns momentos em que isso aconteceu, mas ficou tão natural que o público acabou em dúvida se foi esquecimento mesmo ou se fazia parte do roteiro.
“Olhos nos Olhos” fica em cartaz até 09 de novembro, no Teatro Augusta, em São Paulo. Para mais informações e ingressos, clique aqui.
por Carlos Alberto Quintino – especial para CFNotícias